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Ação dos apóstolos e

 

discípulos de Jesus entre os gentios

 

 

            Vocação dos gentios. Conversão do Centurião Cornélio (Atos 10)

 

 

         É verdade que o divino Salvador chamou primeiro o povo escolhido, os judeus, para entrar no seu reino; mas nem por isso pretendia excluir os povos gentios. É que já se deduz da vocação dos Reis Magos e de seu séqüito, vindo dos países pagãos do Oriente ao presépio de Belém e também da viagem de Jesus àqueles paises e ao Egito. Os judeus, na verdade, entregavam-se ao sonho ilusório de que só eles, com exclusão de todos os outros povos, eram destinados ao reino de Deus. Também os Apóstolos por muito tempo não conseguiram desfazer-se desta opinião errônea. Por isso o próprio Deus ensinou esta verdade a Pedro, Vigário de Jesus Cristo e Chefe da Igreja.

 

         Pedro estava ainda em Jope, quando um pagão piedoso, de nome Cornélio, em Cesaréia, teve a visão de um Anjo de Deus, que lhe assegurou que as suas orações e esmolas eram aceitas por Deus, e que devia mandar chamar Pedro, em Jope. Cornélio enviou dois servos e um soldado a Jope.  Quando chegaram próximo da cidade, subiu Pedro ao terraço da casa, para rezar. Como, porém, sentisse fome, viu descer do céu aberto uma grande toalha, onde se achavam toda a espécie de animais quadrúpedes e répteis da terra e aves. Uma voz alta intimou-o: “Levanta-te, Pedro, mata e come”. Pedro respondeu: “Oh! não, Senhor; nunca comi coisa alguma vil e impura”. A voz disse-lhe: “Não chames de impuro o que Deus purificou”. Três vezes se deu o mesmo. Logo depois desapareceu a visão. Enquanto Pedro ainda meditava a respeito, já perguntavam os três mensageiros, à porta da casa, se ali morava um certo Pedro. Este recebeu do Espírito de Deus a ordem: “Aí estão três homens à tua procura. Levanta-te e vai com eles sem medo; pois fui eu que os mandei”.

 

         Pedro fez como lhe fora mandado, e pôs-se, com alguns discípulos, a caminho de Cesaréia. Cornélio os estava esperando e tinha já reunido os parentes e amigos. Pedro disse-lhes:

         “Sabeis que é abominável para um Judeu juntar-se ou unir-se a um estrangeiro: mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chamasse vil ou imundo. Por isso vim, sem vacilar, logo que fui chamado. Pergunto, pois: Porque me chamastes?” E disse Cornélio: “Hoje fazem quatro dias que eu estava orando em minha casa, à hora nona e eis que surgiu diante de mim um homem vestido de branco e disse-me: Cornélio, a tua oração foi atendida e as tuas esmolas foram lembradas na presença de Deus. Manda, pois, alguém a Jope e faze vir um certo Simão, que tem por sobrenome Pedro e está hospedado em casa de Simão, curtidor de peles, à beira-mar”. Em conseqüência disto mandei logo te buscar e fizeste bem em vir. Agora, porém, estamos todos em tua presença, para ouvir o que o Senhor ordenou que nos dissesses.”

 

         Então Pedro, abrindo a boca, disse:

         “Tenho na verdade aprendido que Deus não faz acepção de pessoas; mas que em toda a nação aquele que o teme e obra o que é justo, esse lhe é aceito. Deus enviou o seu Verbo aos filhos de Israel, anunciando-lhes a paz, por meio de Jesus Cristo. (O Senhor de todos). Sabeis o que se passou por toda a Judéia, começando desde a Galiléia, depois do batismo que João pregou; como Deus ungiu com o Espírito Santo e a virtude a Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem e sarando todos os oprimidos do demônio, porque Deus estava com Ele. E nós somos testemunhas de tudo quanto fez na terra dos judeus e em Jerusalém; eles, porém, O mataram, pregando-O num madeiro. Mas Deus O ressuscitou ao terceiro dia e quis que se manifestasse, não a todo o povo, mas às testemunhas que havia previamente predestinado; a nós, que comemos e bebemos com Ele, depois que ressuscitou dentre os mortos. E mandou-nos pregar ao povo e dar testemunho de que é Ele quem por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. DEle dão testemunho todos os profetas e todos os que nEle crêem, recebem perdão dos pecados por meio do seu Nome”. Estava Pedro ainda proferindo estas palavras, quando desceu o Espírito Santo sobre todos os que o ouviam. E espantaram-se os fiéis que eram da circuncisão e que tinham vindo com Pedro, de ver que a graça do Espírito Santo fora também derramada sobre os gentios; pois ouviam-nos falar diversas línguas e engrandecer a Deus.

 

            Então disse Pedro: “Porventura pode alguém recusar a água, para que sejam batizados estes que receberam o Espírito Santo, do mesmo modo que nós?” E mandou que fossem batizados em nome do Senhor Jesus Cristo. Então lhe rogaram que ficasse com eles por alguns dias.

 

           

            O Concílio dos Apóstolos em Jerusalém

 

 

            Alguns dos discípulos tinham vindo a Antioquia, falando ali também aos gentios e recebendo-os no seio da Igreja. Como se convertessem muitos, foi enviado lá Barnabé, da Igreja de Jerusalém. Este procurou Paulo e com ele trabalhou com tanto sucesso em Antioquia que os partidários de Jesus foram ali chamados, pela primeira vez, cristãos.

         Surgiu, porém, ali uma disputa, quando alguns, vindo da Judéia, ensinavam que a circuncisão, e com esta também a observação de toda a lei mosaica, era necessária para a salvação. Paulo e Barnabé eram contrários a essa doutrina e foram, com alguns outros, enviados pela comunidade de Antioquia a Jerusalém, para propor esta questão, de tamanha importância, aos Apóstolos e anciãos, para a decidirem. Esta foi a causa do primeiro Concílio da Igreja. Catharina Emmerich apenas nos informa que a Mãe de Jesus veio de Éfeso para assistir a este concílio e dar seus conselhos aos Apóstolos. Tiramos a narração do Concílio dos Atos dos Apóstolos, (15,4-32).

 

         Tendo (Paulo e Barnabé, com os companheiros) chegado a Jerusalém, foram recebidos pela Igreja e pelos Apóstolos e presbíteros, aos quais referiam quão grandes coisas Deus tinha operado neles. Mas levantaram-se alguns da seita dos fariseus que haviam abraçado a fé, dizendo: “É necessário, pois, que os gentios sejam circuncidados e também que observem a lei de Moisés”. Congregaram-se, pois, os Apóstolos e presbíteros, para examinarem este ponto. E depois de fazer a respeito um grande estudo, levantando-se Pedro, lhes disse: “Irmãos, sabeis que desde os primeiros dias ordenou Deus que da minha boca ouvissem os gentios a palavra do Evangelho e que a cressem. E Deus, que conhece os corações, declarou-se por eles, dando-lhes o Espírito Santo, como também a nós; e não fez diferença alguma entre nós e eles, purificando-lhes pela fé os corações. Logo, porque tentais agora a Deus, impondo um jugo aos discípulos, que nem nossos pais nem nós podemos suportar? Mas cremos que pela graça do Senhor Jesus Cristo somos salvos, assim como eles também o foram”.

 

         Então toda a assembléia se calou e escutavam a Barnabé e Paulo, que lhes contava quão grandes milagres e prodígios fizera Deus, por intervenção deles, entre os gentios. E depois que se calaram, entrou a falar Tiago, dizendo: “Irmãos, ouvi-me. Simeão tem contado como Deus primeiro visitou os gentios, para fazer deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas, como está escrito: Depois disto voltarei e edificarei de novo o tabernáculo de Davi, que caiu, e reparar-lhe-ei as ruínas e levantá-lo-ei, para que o resto dos homens e todas as gentes sobre as quais tem sido invocado o meu nome, busquem a Deus, diz o Senhor, que faz estas coisas. – Pelo Senhor é conhecida a sua obra desde a eternidade. Pelo que julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus, mas que se lhes deve somente prescrever que se abstenham das contaminações dos ídolos e da fornicação e das carnes sufocadas e do sangue. Porque Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que o pregam, nas sinagogas, onde é lido todos os sábados”.

 

         Então pareceu bem aos Apóstolos e presbíteros e a toda a Igreja eleger dentre eles varões e enviá-los a Antioquia, com Paulo e Barnabé; enviaram Judas, que tinha o sobrenome de Barsabas e Silas, muito conceituados entre os irmãos e pelos quais enviaram a seguinte epístola: “Os Apóstolos e presbíteros irmãos, aos irmãos convertidos dos gentios que se acham na Antioquia e na Síria e na Cilícia, saúde. Tendo ouvido narrar que alguns que têm saído de nós, transtornando os vossos corações, vos têm perturbado com palavras, sem lhes termos mandado tal: Aprouve-nos a nós, congregados em Concílio, escolher homens e enviá-los a vós, com os nossos mui amados Barnabé e Paulo que têm exposto a vida pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, que até verbalmente vos exporão as mesmas coisas. Porque pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargos do que os necessários, que são os seguintes: que vos abstenhais do que tiver sido sacrificado aos ídolos e do sangue e das carnes sufocadas e da fornicação, do que fareis bem de vos guardar. Deus seja convosco”.

 

         Assim enviados, foram a Antioquia e tendo congregado a multidão dos fiéis, entregaram a carta. Depois de a ter lido, se encheram de contentamento, pela consolação que lhes causou. E também Judas e Silas, como profetas que eram, consolaram com muitas palavras os irmãos e os confirmaram na fé.

        

 

            Fundação da Igreja de Roma por S. Pedro

 

 

         S. Pedro parece ter se dirigido, logo depois de ser libertado do cárcere de Jerusalém, para Antioquia, onde teve parte essencial na fundação daquela Igreja, que governou durante sete anos.

 

         A 18 de janeiro, porém, do ano 44, como narra a piedosa Emmerich, chegou Pedro a Roma, com os dois discípulos Martialis e Aplinaris e o criado Marcion. De Antioquia veio primeiro a Jerusalém, depois a Roma, passando por Nápoles e várias outras cidades. Foi recebido mui carinhosamente, com os companheiros, por Léntulo, um dos mais distintos romanos, a quem fora anunciada a sua chegada.

 

         Muitos romanos que haviam ido ao batismo de João, também tinham ouvido falar do Messias e dos milagres que fazia. Léntulo procurou essa gente e escutou-lhes avidamente as narrações. Cresceu-lhe tanto a saudade e o amor de Jesus, que mandou um sudário fino para trocar no Divino Mestre, no aperto da multidão e guardou-o depois com grande reverência.

 

         Léntulo tinha também grande desejo de pintar a figura de Jesus e por isso pedia continuamente a Pedro que lhe contasse muitas coisas sobre o Salvador. Muitas vezes tentava pintar o retrato de Jesus, mas Pedro sempre lhe dizia que ainda não lhe era semelhante. Um dia adormeceu Léntulo durante a oração e ao acordar, encontrou o retrato verdadeiro terminado milagrosamente.

 

         Léntulo tornou-se um dos primeiros cristãos de Roma. Pedro morava, porém, em casa de Pudens, a qual consagrou como primeira Igreja de Roma e para a qual Léntulo contribuiu com muitos donativos.

 

         De Roma veio Pedro a Éfeso, por ocasião da morte de Maria e na volta visitou Jerusalém. Pedro ocupou a cadeira episcopal de Roma durante 25 anos. Foi crucificado no ano 69, na idade de 99 anos.

 

 

            Viagens e trabalhos apostólicos de S. Paulo

 

 

            Quando Paulo e Barnabé trabalhavam em Antioquia, foram escolhidos pelo Espírito Santo para o apostolado entre os gentios. Sendo ordenados bispos, cumpriram depois fielmente a tarefa que lhes fora dada.

 

         São Paulo empreendeu três grandes viagens missionárias. A primeira fê-la com Barnabé. De Antioquia se dirigiram primeiro à ilha de Chipre, onde se converteu o governador da ilha de Pafos: Sérgio Paulo. Depois continuaram a viagem até Antioquia, na Pisídia. Mas como ali os judeus contradiziam ao que Paulo ensinava, disseram Paulo e Barnabé:

 

         “Éreis os primeiros a quem se devia anunciar a palavra de Deus; mas porque a rejeitais e vos Julgais indignos da vida eterna, desde já nos vamos daqui, para os gentios”.

 

         Alegraram-se os gentios, dos quais muitos aceitaram a palavra de Deus. Em Icônio o povo quis maltratar e prejudicar os dois missionários, que por isso fugiram para Listra. Paulo curou nessa cidade um homem que nascera coxo e o povo quis por isso os adorar como deuses; eles, porém, o impediram; mas pouco depois vieram os judeus, agitando o povo; Paulo foi apedrejado e deixaram-no como morto. No dia seguinte pôde partir com Barnabé para Derbe, donde voltaram para Listra, Icônio e Antioquia, na Pisídia.

 

         “Confirmaram os corações dos discípulos, exortando-os a perseverar na fé, e ensinando-lhes que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus. Por fim, tendo-lhes ordenado em cada Igreja presbíteros e feito orações com jejum, os deixaram encomendados ao Senhor, no qual tinham crido”.

 

         Passando por Perge e Átila, voltaram para Antioquia, onde tinham começado a viagem e pouco depois se encaminharam para Jerusalém, a fim de tomar parte no Concílio dos Apóstolos (no ano 50), cuja decisão levaram depois à comunidade de Antioquia.

 

         São Paulo fez a segunda viagem acompanhado pelo discípulo Silas. Visitaram primeiro as Igrejas da Síria e Cilícia, que ficavam no caminho de Listra, onde Timóteo se lhes juntou. Dali viajaram pela Frigia, Galícia e Mísia, para Troas.

         “E à noite teve Paulo esta visão: achava-se ali em pé um homem macedônio, que lhe rogava e dizia: “Parte para a Macedônia e ajuda-nos!”

 

         Embarcaram, pois, sem demora, depois de Lucas se lhes ter juntado, em Troas. Em Filipos se converteu uma mulher, por nome Lídia, que comerciava em púrpura. Paulo livrou também uma escrava do demônio, pelo que foi acusado e, juntamente com Silas, açoitado e lançado no cárcere.

 

         “Mas à meia-noite, postos em oração, Paulo e Silas louvavam a Deus e os que estavam na prisão, os ouviam. E subitamente se sentiu um terremoto tão grande, que se moveram os fundamentos do cárcere. E abriram-se logo todas as portas e foram soltas as prisões de todos. Tendo, pois, despertado o carcereiro e vendo abertas as portas do cárcere, tirando da espada, queria matar-se, achando que tinham fugido os presos. Mas Paulo bradou-lhe em voz forte: “Não te faças mal algum porque todos nós aqui estamos”. Então, tendo pedido luz, entrou lá dentro o carcereiro e, todo tremendo, se lançou aos pés de Paulo e Silas e tirando-os para fora, disse-lhes: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar”? E eles disseram: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua família”. E pregaram-lhe a palavra do Senhor e a todos de casa. E tomando-os naquela mesma hora da noite, o carcereiro lavou-lhes as chagas e imediatamente foi batizado, com toda a família. (Cap. 16, 25-33).

 

         Posto em liberdade, dirigiu-se Paulo à Tessalônica, anunciando Jesus, ressuscitado dos mortos; mas, prevendo uma perseguição, logo que chegou a noite continuaram a viagem e foram a Beréa. Como também ali os judeus agitassem contra eles o povo, Paulo deixou nessa cidade Silas e Timóteo, encaminhando-se para Atenas. Ali, em pé no meio do areópago, anunciou aos filósofos gentios o Deus desconhecido:

 

         “Homens atenienses, em tudo e por tudo vos vejo um pouco excessivos no culto da vossa religião. Pois passando e vendo os vossos ídolos, achei também um altar, em que estava escrito: Ao Deus desconhecido. Pois esse Deus que adorais sem o conhecer, é de fato O que vos anuncio. Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo o Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos pelos homens, nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma criatura, quando Ele mesmo é o que dá a todos a vida e a respiração e todas as coisas. Ele fez de um só casal todo o gênero humano, para que se espalhasse por toda a face da terra e regulou e determinou a ordem dos tempos e os limites da existência humana, para que os homens buscassem a Deus, se porventura o pudessem tocar ou achar, ainda que não esteja longe de cada um de nós. Pois nEle vivemos e nos movemos e existimos, como ainda disseram alguns dos vossos poetas: porque somos também de sua linhagem. Sendo, pois, linhagem de Deus, não devemos pensar que a Divindade seja semelhante ao outro ou à prata ou à pedra lavrada por arte e indústria do homem. Deus, dissimulando por certo os tempos desta ignorância, comunica agora aos homens que todos, em todo o lugar, façam penitência. Pois determinou um dia em que há de julgar o mundo, conforme a justiça, por aquele Homem que destinou para juiz, do que dá certeza a todos, ressuscitando-O dentre os mortos”.

 

         Ouvindo-o porém, falar da ressurreição dos mortos, uns faziam zombaria e outros disseram: “Outra vez te ouviremos sobre este assunto”. Assim se retirou Paulo. Todavia, alguns homens, agregando-se-lhe, abraçaram a fé; entre estes não foi só Dionísio, areopagita, mas também uma mulher por nome Damaris e com eles, outros. (Cap. 17, 22-34.)

 

         Paulo partiu de Atenas e chegou a Corinto, onde procurou primeiro converter os judeus e depois os gregos à fé de Jesus Cristo. Converteu-se aí Crispo, que era o príncipe da sinagoga. Depois de uma estadia de um ano e meio em Corinto, voltou a Antioquia, passando por Éfeso, Cesaréa e Jerusalém.

 

         Ali pouco tempo apenas se demorou o Apóstolo, partindo depois para a terceira viagem apostólica. Atravessando primeiro a Galácia e Frigia, chegou a Éfeso, de onde foi à Acaia, na Grécia e passando por Corinto, voltou a Éfeso, onde passou mais de dois anos, pregando e fazendo muitos milagres.

 

         “E muitos do que tinham crido, vinham confessando e anunciando as suas obras. Muitos também dos que tinham seguido as artes vãs, trouxeram os livros e ajuntando-os, queimaram-nos diante de todos; e calculando-lhes o valor, acharam que montava a cinqüenta mil dinheiros. Deste modo a palavra de Deus crescia muito e tomava novas forças”. (Cap. 19, 18-20).

 

         Como, porém, o culto da deusa Diana cada vez mais diminuísse, o ouvires de prata, Demétrio, amotinou o povo contra o Apóstolo, que por isso partiu para a Macedônia e Grécia, voltando dali a Trôade, onde ressuscitou dos mortos o mancebo Euticho. Chegando a Mileto, fez diante dos bispos da Ásia Menor um belo sermão de despedida, no qual disse:

 

         “E agora, eis que, levado pelo Espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me há de acontecer, senão o que o Espírito Santo me assegura por todas as cidades, dizendo que me esperam em Jerusalém prisões e tribulações. Nada disto, porém, temo nem considero a minha própria vida mais preciosa do que eu mesmo, contanto que acabe a minha carreira e o ministério da palavra, que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus... Tende cuidado convosco e com todo o rebanho de que o Espírito vos constituiu bispos, para governardes a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com seu próprio sangue. Porque sei que depois da minha partida hão de penetrar entre vós lobos arrebatadores, que não pouparão o rebanho”. (Cap. 20, 22-29).

 

         Partindo de Mileto, viajou Paulo, por Chipre e Tiro, para Jerusalém. Mas quando estava no templo, amotinaram o povo. Lançaram-lhe as mãos e, arrastando o para fora, tê-lo-iam matado, se não fosse o comandante romano, Lísias, que o arrebatou das mãos do povo. O Apóstolo defendeu-se em seguida diante do Conselho Supremo e foi depois retirado de novo do tumulto pelos soldados e levado à Torre Antônia. Mais de quarenta judeus fizeram, porém, o juramento que não haviam de comer nem beber, enquanto não matassem Paulo. Mas Lísias, tendo-o sabido, mandou levá-lo, com uma escolta militar, para Cesaréia e entregá-lo ao governador Félix, que o guardou dois anos preso. Paulo defendeu-se também diante de Festo, sucessor de Félix, como também diante do rei Agripa. Mas, sendo cidadão romano, apelou para o imperador e foi assim enviado a Roma. Viajando no alto mar, desencadeou-se um furioso temporal, pondo-lhes o navio e a vida em perigo, durante 13 dias, como Paulo mesmo predissera. Próximo da ilha de Malta se despedaçou o navio de encontro a um rochedo, mas todos os passageiros chegaram são e salvos à praia. O Apóstolo curou o homem mais eminente da ilha, de nome Público; e, tendo-o mordido uma víbora, nada sofreu. No fim de três meses, se puseram de nova em viagem. Em Roma a prisão de Paulo era pouco rigorosa e ele pôde até converter algumas pessoas da corte de César. É provável que ainda fizesse uma viagem apostólica à Espanha e depois à Ásia Menor e à Grécia.

 

         Depois de ter estado nove meses no cárcere Mamertino, o incansável Apóstolo foi degolado, fora da cidade de Roma, na estrada de Óstia, a 29 de Junho de 67 (segundo Catharina Emmerich). Narra-nos a tradição que a santa cabeça, depois de cortada pelo carrasco, ainda saltou três vezes e onde tocou no chão, nasceu uma fonte. Hoje ainda existem essas três fontes, na Igreja de Tre Fontane.

 

         S. Paulo mereceu, com toda a justiça, o nome de Apóstolo dos gentios, pelos seus trabalhos apostólicos em tantos países pagãos. As quatorze Epístolas que escreveu, reconhecidas pela Igreja, cheias de sublimes doutrinas da fé, continuam-lhe o apostolado até o fim dos séculos. O zelo pela glória do nome de Jesus, na salvação das almas, manifesta-se-lhe nas palavras: “Fiz-me tudo para todos, para salvar todos”. (1 Cor. 9,22) E chega ao apogeu nesta exclamação: “Desejara até ser anátema por Cristo, por amor de meus irmãos”. (Rom. 9,3) Toda a chama de amor se lhe patenteia, porém, na mesma carta aos romanos (8, 35): “Quem nos separará, pois, do amor de Cristo? Será a tribulação? Ou a angustia? Ou a fome? Ou a nudez? Ou o perigo? Ou a perseguição? Ou a espada?... Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem as coisas presentes, nem as futuras... nem criatura alguma nos poderá apartar do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, Senhor nosso”. O Apóstolo mostrou esse amor a Jesus também pela ação, sofrendo pelo nome de Jesus muitíssimas dores e tribulações, de que ele mesmo escreve:

 

         “Dos Judeus recebi cinco quarentenas de açoites, menos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes naufraguei, uma noite e um dia estive no fundo do mar; em jornadas, muitas vezes me vi em perigo de rios, em perigo de ladrões, em perigo dos da minha nação, em perigo dos gentios, em perigo da cidade, em perigo do deserto, em perigo no mar, em perigo entre falsos irmãos; em trabalho e fadiga, em muitas vigílias, com fome e sede, em muitos jejuns, em frio e desnudez; fora estes males, que são exteriores, me combatem as minhas ocorrências de cada dia, o cuidado que tenho de todas as Igrejas”. (2Cor. 11, 24-28).

 

         Em todas as tribulações S. Paulo não carecia de consolações celestiais, de modo que podia dizer: “Nado em alegria em toda a minha tribulação”. (2 Cor, 7,4). Depois de tantos trabalhos e lutas, cheios de sacrifícios, pôde, com todo o direito, escrever: “Combati o bom combate, acabei a minha carreira, guardei a fé. Quanto ao mais, me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia”. (2 Tim. 4, 7-8).

 

 

            Santo André, Apóstolo da Grécia

 

 

            Depois da divisão dos Apóstolos, S. André trabalhou primeiro na Scítia, depois no Epiro e na Trácia e finalmente na região da Acácia, na Grécia. Dali foi chamando por uma visão para junto do Apóstolo Mateus, que estava preso, com outros discípulos e sessenta cristãos, numa cidade da Etiópia. Os pagãos tinham-lhe derramado veneno nos olhos, o que lhe causava dores horríveis. André apressou-se a chegar junto de Mateus e curou-o, livrando-o, com os companheiros, da prisão. Pregou também o Evangelho nessa cidade, até que foi preso por gente amotinada e arrastado pela cidade, com os pés amarrados. André, porém, rezava pelos carrascos, que por isso ficaram tão comovidos, que lhe pediram perdão e se converteram.

 

         Depois voltou para a Acaia, onde curou um possesso cego e ressuscitou um menino. Viajou também para Nicéia, ordenando um bispo nessa cidade. Na Nicomédia ressuscitou outro rapaz e aplacou uma tempestade no Helesponto. Uma vez que foi ameaçado pelos Trácios selvagens, ficaram estes assustados com uma luz resplandecente do céu e prostraram-se por terra. Outra vez foi atirado às feras, mas ficou ileso.

 

Foi em Patras, cidade da Acaia, que o Apóstolo sofreu o martírio; por ter confessado com grande franqueza a fé diante do procônsul Egéas, mandou este que o lançassem no cárcere. O povo, que lhe era muito afeiçoado, queria libertá-lo; ele, porém, pediu que lhe não impedissem de alcançar á tão almejada coroa do martírio. O juiz condenou-o à morte na cruz. Ao ver de longe a cruz, André exclamou: “Ó boa cruz, há tanto tempo almejada, tão ardentemente amada e sem cessar procurada! Tira-me de junto dos homens e restitui-me ao meu Mestre, para que por ti me receba, quem por ti me remiu”. Por dois dias esteve suspenso vivo, na cruz, pregando ao povo a fé de Jesus Cristo. A piedosa Emmerich viu-o morrer, rodeado de Anjos, sendo o corpo embalsamado por Maxila, tia de Saturnino. Segundo a serva de Deus, teve lugar a morte de Santo André no ano 93.

 

 

            S. Tiago o Maior, Apóstolo da Espanha

 

            Partindo de Jerusalém, Tiago o Maior dirigiu-se, pelas ilhas gregas e pela Sicília, à Espanha, onde desembarcou em Gades. Como ali não fosse bem recebido, mudou-se para outra cidade. Mas também não foi tratado melhor, prenderam-no e teria sido morto, se um Anjo não o tivesse livrado milagrosamente. Deixou na Espanha cerca de sete discípulos e, acompanhado de dois outros, voltou por Massília, no sul da França, a Roma.

 

         Mas voltou depois à Espanha, dirigindo-se de Guedes, por Toledo, a Zaragoza.

 

         “Ali, diz Catharina Emmerich, se converteu muita gente, ruas inteiras creram no Senhor, com exceção apenas dos que ainda aderiam ao paganismo. Vi Tiago correr também muitos perigos. Soltavam contra ele víboras, as quais tomava tranqüilamente nas mãos e não lhe faziam mal, mas viravam-se contra os idólatras que o cercavam, e estes, vendo o milagre, começavam a temê-lo. Vi também que em Granada, onde apenas começara a pregar, foi preso com todos os discípulos e cristãos. Tiago invocou no coração o socorro e a proteção da Santíssima Virgem, que nesse tempo ainda vivia em Jerusalém e Maria salvou-o, com todos os seus discípulos, por intermédio de Anjos. A Virgem Santíssima mandou-lhe por um Anjo a ordem de ir à Galícia, pregar ali a fé e depois voltar.

 

         Vi Tiago, após a volta, em grandes tribulações, por causa de uma iminente perseguição e provação da comunidade cristã de Zaragoza. Rezava numa noite à beira do rio, fora dos muros da cidade, junto com alguns discípulos, pedindo a Deus conselho, se devia ficar ou fugir. Lembrou-se também da Santíssima Virgem e suplicou-Lhe que o ajudasse a pedir luzes e auxílio do Filho, que certamente não lhe negaria. Então vi subitamente aparecer por cima do Apóstolo um esplendor no céu e Anjos que entoavam um magnífico canto e transportavam uma coluna resplandecente, que da base projetava um raio fino de luz sobre um lugar, alguns passos distante de Tiago, como para indicar esse ponto. A coluna tinha um brilho vermelho, era atravessada por muitas veias, muito alta e delgada, terminando em cima como um lírio, que se abre em línguas de luz, das quais uma raiava longe, em direção a Compostela, a oeste, as outras, porém, para as regiões próximas. Nessa flor de luz, vi a figura da Santíssima Virgem em pé, como sempre ficava em vida na terra, durante a oração, toda branca e transparente, com um brilho mais belo e suave que o da seda branca. Estava de mãos postas, uma parte do longo véu cobria-lhe a cabeça, a outra parte, porém, envolvia-a até os pés, de modo que com os pés delicados e pequenos estava sobre as cinco pétalas da flor da luz. Era um quadro indizivelmente doce e belo. Vi que Tiago, orando de joelhos, levantou os olhos e recebeu interiormente de Maria a ordem de, sem demora, construir nesse lugar um templo, em que a intercessão de Maria se firmasse como uma coluna. Ao mesmo tempo lhe anunciou a Virgem Santíssima que, depois de acabar a construção da Igreja, devia ir a Jerusalém, Tiago levantou-se, chamou os discípulos, que já tinham visto a luz e correram para junto dele e comunicou-lhes a aparição milagrosa e todos seguiam com os olhos o esplendor que ia desaparecendo.

 

         Tendo executado em Zaragoza a ordem de Maria, Tiago constituiu uma comissão de doze discípulos, entre os quais também homens doutos, que deviam continuar a obra, que começara com tantas dificuldades e tribulações.

 

         Em seguida partiu de Espanha para Jerusalém, como lhe ordenara a Virgem. Nessa viagem visitou em Éfeso Maria, que lhe predisse a morte próxima, em Jerusalém, consolando e confortando-o. Tiago despediu-se de Maria e do irmão e continuou a viagem para Jerusalém, onde foi decapitado.

 

         O corpo do Apóstolo esteve algum tempo num sepulcro perto de Jerusalém. Quando, porém, se levantou uma nova perseguição, levaram-no alguns discípulos, entre os quais José de Arimatéia e Saturnino, para a Espanha. Mas a perversa rainha Lupa, que já antes perseguira S. Tiago, não quis permitir que o sepultassem ali.

         “Os discípulos tinham posto o santo corpo sobre uma pedra, que sob ele formou então uma cavidade, como um sepulcro. Sucedeu também que outros cadáveres, sepultados ao lado, foram lançados fora da terra. Lupa acusou os discípulos perante o rei, que os mandou prender; mas escaparam milagrosamente e o rei que os perseguia com cavalaria, passou sobre uma ponte, que desabou, morrendo ele com todos os companheiros. Lupa assustou-se tanto com esse fato, que mandou dizer aos discípulos que prendessem e atrelassem touros bravos num carro; onde estes levassem o corpo, ali poderiam construir uma Igreja. Esperava que os touros bravos destruíssem tudo. Um dragão opôs-se na região deserta aos discípulos, mas morreu fulminado, quando fizeram o sinal da cruz; os touros bravos, porém, tornaram-se mansos, deixaram-se atrelar ao carro e levaram o santo corpo ao castelo de Lupa. Ali então foi sepultado e o castelo transformado em Igreja, pois lupa converteu-se, confessando a fé cristã, com todo o povo”.

 

         No sepulcro do santo Apóstolo aconteceram muitos milagres. Mais tarde lhe foram transferidos os ossos para Compostela, que se tornou um dos mais afamados lugares de peregrinação. S. Tiago pregou cerca de quatro anos na Espanha.

 

 

            São João Evangelista em Roma e na Ásia Menor

 

 

            Os cristãos podiam viver em Éfeso, sem ser incomodados; todavia era João guardado por algum tempo como preso. Podia, porém, sair, acompanhado por dois soldados; e visitava muitas vezes gente boa. Uma vez se encontrou, num tal passeio, com um grupo de estudantes, cujo professor falara contra João. Como o Apóstolo tinha pregado o desprezo das riquezas terrestres, compraram ouro e pedras preciosas, que quebraram em pedaços, espalhando-os por escárnio no caminho de João; queriam mostrar-lhe que os pagãos podiam também desprezar a riqueza, sem por isso serem necessariamente cristãos. João, porém, disse-lhes que isso era desperdício, mas não a virtude do desapego. Um dos rapazes desafiou-o então a apanhar os pedaços das pedras e restaurar-lhes a forma anterior, que creriam no seu Deus. João disse-lhes que as apanhassem e lhas trouxessem. Assim fizeram; João rezou e restituiu-lhes então tudo em estado perfeito. Prostraram-se então os jovens diante dele, deram as jóias aos pobres e tornaram-se cristãos.

 

         “Dois dos que tinham dado os bens aos pobres e seguido a João, conta Catharina Emmerich, vendo os escravos bem vestidos, arrependeram-se de ter seguido a Cristo. Vi João apanhar ramos do mato e pedras na praia do mar, convertendo-os pela oração em varas de ouro e pedras preciosas e, dando-lhes, disse que comprassem de novo as riquezas.

 

         Estava ainda a repreendê-los por causa da queda, quando passou diante deles o cadáver de um jovem e muita gente que o transportava; imploraram, chorando, ao Apóstolo que lhe restituísse a vida. Orando, ressuscitou-o e mandou-lhe dizer aos discípulos irresolutos o que sabia do estado de suas almas. O ressuscitado falou-lhes do outro mundo, exortando-os a fazer penitência. Arrependeram-se então os jovens e o Apóstolo mandou-os jejuar, recebendo-os depois novamente na Igreja; o ouro, porém, tornou-se de novo em ramos e as pedras preciosas converteram-se novamente nas pedras anteriores e foram lançadas no mar.

 

         Vi que muitos se converteram e que João foi preso. Um sacerdote dos ídolos disse que creria em Jesus e o libertaria, se João bebesse um cálice de veneno, sem morrer. Fizeram-no conduzir a um largo, perante o juiz e grande multidão de homens. Vi também que dois condenados à morte foram forçados a beber o veneno e caíram mortos em pouco tempo. João rezou e pronunciou algumas palavras sobre o cálice. Então saiu deste um negro vapor e uma luz desceu sobre ele. João bebeu tranqüilamente e o veneno não lhe fez mal algum. O sacerdote pagão exigiu ainda que João ressuscitasse os dois mortos. O Apóstolo deu-lhe o manto para o estender sobre os mortos e disse-lhes o que devia dizer então. Feito isso, levantaram-se os dois mortos; à vista deste milagre, quase toda a cidade se converteu e deram liberdade a João.

 

         Vi também desabar um templo em Éfeso, quando queriam obrigar João a sacrificar aos ídolos. Era como se uma tempestade caísse sobre o templo; ruiu o teto, poeira e vapor saiam de todas as aberturas e os ídolos fundiram-se.

 

         Um judeu convertido, que ainda era catecúmeno, caiu na ausência de João, em grande pobreza e dívidas e era por isso muito perseguido. Então lhe disse um judeu maldoso que tomasse veneno, pois teria de ficar até à morte no cárcere dos devedores insolventes. Vi então o pobre homem, cheio de angústia, beber três vezes uma taça de bronze, cheia de veneno, mas como S. João lhe tivesse ensinado a fazer o sinal da cruz sobre tudo quanto comesse ou bebesse, o veneno não lhe fez mal, apesar de querer envenenar-se. Nesse ínterim voltou João àquele lugar. O homem confessou-lhe o ato que praticara e, repreendido, reconheceu o crime, manifestando grande arrependimento. João fez o sinal da cruz sobre a taça de veneno, a qual se converteu em ouro e mandou-lhe pagar com isso as dividas. Esse homem tornou-se discípulo de João e bispo daquela cidade onde João achou o menino que mais tarde encontrou como membro de um bando de bandidos.

 

         João achou-o apascentando um rebanho fora da cidade. Conversando com o menino, conheceu-lhe os bons talentos, apesar de grande falta de educação. Mandou que chamasse os pais, dos quais João pediu e recebeu o menino, para o educar. Tinha este 10 anos de idade, João levou-o ao bispo de Beréa, para o educar e disse a este que mais tarde viria pedi-lo. No principio tudo ia bem; depois se descuidaram do menino, que afinal se juntou a uma quadrilha de salteadores. Quando João, na volta, perguntou pelo menino, soube que se achava nas montanhas, entre os salteadores. Então montou num jumento e seguiu para lá. Era já idoso e o caminho da montanha muito íngreme. Tendo achado o moço, suplicou-lhe de joelhos que se convertesse. O jovem tinha então cerca de vinte anos. João levou-o consigo, depôs o bispo e impôs uma penitência ao moço, que se tornou mais tarde também bispo.

 

         O bispo demitido era, aliás, um homem bom, mas faltara ao dever para com o moço. Ficara apenas seis anos bispo; era mais o vigário geral de João. Chama-se Áquila e morreu de morreu de morte natural. Oh! Como chorou, ajoelhando-se diante de João, quando este o repreendeu pelo descuido!

 

         Quando João foi atirado no óleo fervente, tinha ensinado na Itália, onde fora também preso. De Pátmos, onde era muito benquisto e tinha convertido muitos, viajava ás vezes, com os guardas, mesmo até Éfeso. As revelações do Apocalipse, não as recebeu de uma só vez, nem as escreveu ao mesmo tempo, mas com intervalo; somente três anos antes da morte foi que escreveu o Evangelho, no Interior da Ásia. – Tive várias visões do martírio deste Apóstolo, em Roma. Vi-o num pátio circular, cercado de um muro simples, onde o despiram e açoitaram; estava já muito velho, mas ainda tinha um aspecto delicado e juvenil. Vi-o também conduzido por uma porta para fora da cidade a um largo vasto e circular, onde havia uma caldeira alta e um pouco estreita, colocada sobre um fogão circular de pedra, o qual tinham aberturas embaixo, para entrar o ar. João vestia um manto largo, abotoado no peito, quase como o Senhor, quando foi escarnecido depois da coroação de espinhos. Havia em roda muita gente a olhá-lo. Tiraram-lhe o manto e vi o corpo sangrento pela flagelação. Dois homens levantaram João, que subia também. O óleo estava fervendo; embaixo faziam fogo com lenha curta, de cor escura, que traziam em feixes. Tendo João estado dentro da caldeira por algum tempo, sem sinal de dor ou queimaduras, tiraram-no; todo o corpo conservava-se ileso e renovado, pois todas as feridas feitas pelos açoites, tinham-se curado. Muita gente que o viu, precipitou-se para a caldeira, sem medo, enchendo pequenos jarros com óleo e eu ficava admirada de que não se queimassem. João, porém, foi reconduzido à cidade.

 

         De Roma veio João de novo a Éfeso vivendo ali alguns dias escondido. Só de noite visitava as moradas dos cristãos e também celebrou o santo sacrifício em casa de Maria. Depois mudou, com alguns discípulos, para Kedar, onde três anos antes da morte escreveu o Evangelho, na solidão. Os discípulos não estavam presentes quando escrevia; moravam um pouco afastados e só de vez em quando iam levar-lhe alimento. Vi que escrevia deitado sob uma árvore e que, quando chovia, em cima do Apóstolo permanecia o céu claro e não o molhava. Viveu ali mais tempo, ensinando também e convertendo muita gente nas cidades. De lá voltou novamente a Éfeso.

 

         Os partidários principais dos reis Magos, depois de recebido o batismo das mãos se São Tomé, dirigiram-se à Ilha de Creta; o resto espalhara-se por outras regiões. São Tomé instituíra na Arábia vários bispos, pertencentes às tribos dos Reis Magos. Estes bispos não conseguiram mais governar os fiéis da região, os quais sempre recaiam na idolatria. Por isso escreveram a São João, que lhes mandasse dois discípulos, ambos irmãos de Fidélis, os quais receberam no batismo os nomes de Macário e Caio e já eram homens. Esses, porém, tanto tempo lho pediram, que afinal, embora em idade avançada, fez essa viagem. Moravam ainda mais longe do que o acampamento do Mensor. Vi João num lugar onde habitavam os caldeus, que possuíam no seu templo o jardim fechado de Maria. O templo não existia mais; tinham uma Igreja pequena, em forma da casa de Maria em Éfeso, com terraço, como tenho visto todas as Igrejas nos primeiros tempos do cristianismo.

 

         Ali se reuniram também os bispos, pedindo a João que escrevesse a vida de Jesus, pois que lhe contariam tudo quanto sabiam. Disse-lhes, porém, o Apóstolo que já tinha escrito a vida de Jesus e tudo quanto podia escrever de sua Divindade neste mundo; que, enquanto escrevera, quase sempre havia estado no céu, não podia escrever mais outra coisa. Disse-lhes que um dos discípulos que acompanhara Jesus, de nome Eremenzear, mais tarde chamado Hermes, tinha escrito a respeito; Macário e Caio deviam completá-lo. Vi também que estes assim fizeram e que a obra de Macário se perdeu, mas a de Caio ainda existe. João partiu dali para Jerusalém, depois para Roma, donde voltou para Éfeso.

 

         Tive também uma bela visão da morte de São João. Estava já muito velho, mas tinha o rosto ainda belo, delicado e juvenil. Vi-o partir e distribuir o pão divino creio que por três dias em seguida, numa Igreja de Éfeso. Lembro-me que Jesus lhe tinha aparecido, anunciando-lhe a morte; recordo-me só obscuramente, mas vi muitas vezes Jesus lhe aparecer. Depois o vi ensinar ao ar livre, sob uma árvore, fora da cidade, rodeado pelos discípulos; dirigiu-se em seguida, acompanhado apenas por dois discípulos, a um belo lugar num bosque, atrás de uma pequena colina. Havia ali uma linda relva e podia-se ver o mar azul no horizonte. Mostrou-lhes uma coisa no chão; era que deviam cavar ou acabar-lhe a cova. Creio que era para acabar, pois pouco depois tudo estava tão bem preparado, que o trabalho principal devia ter sido feito já anteriormente. As pás ainda estavam lá.

 

         Vi-o voltar para junto dos outros, ensinando-lhe com amor, rezando e exortando-os a se amarem uns aos outros. Os dois voltaram também e um deles disse: “Ai! meu Pai, cremos que nos quereis abandonar”. Comprimiam-se-lhes todos em roda e prostravam-se por terra, chorando; João exortou-os, rezou e abençoou-os. Depois mandou que ficassem ali; e acompanhado por cinco dentre os discípulos, foi ao lugar do sepulcro, que não era muito profundo, mas bem revestido de relva; tinha uma tampa de vime e sobre esta puseram depois, se bem me lembro, relva e uma pedra.

 

         João, em pé à beira da cova, rezou com os braços estendidos; depois colocou dentro o manto, entrou e, sentando-se, ainda rezava. E veio-lhe um grande esplendor, enquanto ainda falava; os discípulos estavam prostrados por terra, chorando e rezando. Vi depois uma coisa maravilhosa: Quando João caiu vagarosamente deitado e expirou, vi no esplendor que o encimava, uma figura resplandecente, semelhante a ele, sair-lhe do corpo, como de um invólucro grosseiro e desaparecer com a luz. Depois vi também os outros discípulos, que se aproximavam e se prostravam em roda do sepulcro, sobre o corpo sagrado, que foi coberto em seguida.

 

         Vi também que o corpo do Apóstolo não está mais na terra, mas entre norte e leste, num lugar resplandecente com o sol; vi que lá era como um intermediário, recebendo alguma coisa de cima e levando-a para baixo. Vi esse lugar como ainda pertencente à terra, mas elevado acima dela e inacessível”.

 

 

            Viagens apostólicas e trabalhos de São Tomé, principalmente na Índia

 

 

            Havia cerca de três anos depois da morte de Jesus, quando Tomé, com o Apóstolo Tadeu e quatro discípulos, partiu para o país dos Reis Magos. Batizou os dois reis, já muito idosos, Mensor e Teokeno e pouco a pouco foram batizados todos os habitantes do país.

 

         Tomé enviou Tadeu, com uma carta, ao rei Abgar, para o curar; soubera, por uma revelação divina, da enfermidade do rei.

         “Por todo o caminho, conta a piedosa Emmerich fazia Tomé grandes milagres, instituía catequistas e deixava também um discípulo. Continuou a viagem até a Báctria. Foi também ao extremo norte, além da China, onde começa o território da Rússia, entre tribos muito selvagens. Na Báctria e entre os povos que seguem a doutrina de Zoroastro, teve muito bom êxito. Chegou também ao Tibet.

 

         Mais tarde vi São Tomé, não só na Índia, mas também numa ilha, entre gente de cor e também no Japão; ouvi-lhe também profecias sobre a sorte futura da religião nesse último país.

 

         Tomé tinha pouca vontade de ir para a Índia. Antes de partir para lá, teve muitos sonhos, nos quais construía belos e grandes palácios na Índia. Não o compreendia a princípio, não dando importância a esses sonhos, porque nada sabia de arquitetura. Mas continuavam a repetir-se tais avisos interiores, de ir à Índia para converter muitos homens e ganhar muitas almas, porque isso significaria a construção dos grandes palácios. Aconselhou-se com Pedro, que o exortou a partir para a Índia. Então seguiu ao longo do Mar Vermelho e passou também pela Ilha de Socotora, onde ensinou, mas não por muito tempo.

 

         Foi a segunda cidade da Índia onde Tomé chegou, encontrando o povo a preparar-se para uma grande festa. Ensinou e curou enfermos; o rei e muito povo o escutavam. Foram tantos os que lhe aderiram, que um jovem sacerdote dos falsos deuses lhe criou um profundo ódio e uma vez, durante o sermão, lhe bateu no rosto. Tomé, porém, permaneceu calmo e humilde e, agradecendo-lhe, ofereceu também a outra face. Vendo-o, o rei e todo o povo ficaram muito comovidos, estimando depois Tomé como um homem muito santo; o sacerdote idólatra converteu-se. A mão tinha-se-lhe coberto inteiramente de lepra. Tomé, porém, curou-a e o jovem convertido se tornou o mais fiel dos discípulos.

 

         Tomé converteu também a filha do rei e o marido, que era possesso de um demônio; depois saiu da região, continuando a viagem mais para leste. Tendo a filha do rei dado à luz um filho, ela e o marido fizeram voto de castidade, dando todos os bens aos pobres. O pai indignou-se muito e afirmou que Tomé era feiticeiro; mas a filha e o genro perseveraram no seu propósito e propagavam por toda a parte a doutrina singela de Jesus Cristo, como a tinham recebido, convertendo muitos. O próprio pai afinal ficou comovido e mandou um mensageiro a Tomé, pedindo-lhe para voltar. O Apóstolo voltou, pois, na despedida lhes dissera: “Em pouco tempo nos tornaremos a ver”. O rei e uma grande multidão de povo pediram o batismo e o próprio rei tornou-se mais tarde diácono e foi juntar-se aos seis Magos. Tendo ainda a lembrança vaga de que se tornou sacerdote e o filho construiu uma igreja.

 

         Vi Tomé numa outra cidade, à beira do mar e notei que tencionava deixar a Índia; creio que não era longe da região, onde mais tarde pregou São Francisco Xavier. Apareceu-lhe, porém, Jesus, que o mandou viajar para o interior da Índia. Tomé não queria, por habitar ali um povo muito selvagem; então lhe apareceu Jesus, pela segunda vez, dizendo-lhe que lhe estava fugindo diante dos olhos, como Jonas; que fosse para lá, pois não o abandonaria; grandes prodígios se fariam por suas mãos. No dia do juízo Tomé havia de estar a seu lado, como testemunha de quanto Ele fizera pelos homens.

 

         Vi São Tomé, caminhando com muito povo, curando enfermos, expulsando demônios e batizando numa fonte. Veio vê-lo também um homem muito distinto, douto e piedoso, que sempre estava estudando nos livros e se tornou zeloso discípulo do Apóstolo. Esse homem tinha uma sobrinha, casada com um parente do rei. Era extremamente bela e riquíssima. Tendo ouvido falar dos milagres de Tomé, sentia grande desejo de ouvir-lhe a doutrina. Passando através do povo, até chegar junto dele, prostrou-se-lhe aos pés e pediu-lhe que lhe ensinasse. Tomé ensinou-lhe e abençoou-a; a moça ficou muito comovida, chorava, rezava e jejuava dia e noite. O marido, que a amava muito, tornou-se muito triste e procurava distraí-la. Ela, porém, lhe pediu que a deixasse ainda algum tempo recolhida. Ia diariamente à doutrina de Tomé e tornou-se zelosa cristã. O marido, zangado, apresentou-se em vestes de luto ao rei, acusando Tomé. Tendo levado o Apóstolo amarrado ao rei, este o mandou açoitar e encarcerar. Foi o primeiro martírio de São Tomé, em todas as suas viagens; ele, porém, louvava a Deus.

 

         A mulher convertida cortou o cabelo, chorava e rezava, deu tudo aos pobres e não usava mais enfeites. De noite, na ausência do marido, subornava os guardas e ia com outros ao cárcere, para ouvir a doutrina de Tomé. Levava consigo a ama de leite e pediram o batismo. Tomé mandou preparar tudo em casa para o batismo, e saindo do cárcere, foi à casa das recém-convertidas e batizou-as, com muitos outros. Os guardas dormiam, por efeito da Providência Divina e Tomé voltou ao cárcere.

         Como, porém, até da família real alguns mudassem de vida e seguissem a doutrina do Apóstolo, mandou o rei trazê-lo à sua presença e como Tomé lhe explicasse a doutrina, sem que o rei quisesse crer, propôs-lhe o Apóstolo pedir a Deus um sinal de que ele dizia a verdade. Então mandou o rei colocar-lhe em frente lanças em brasas e Tomé andou sobre as mesmas sem se queimar; no lugar onde foram colocadas, nasceu uma fonte. Tomé narrou também ao rei o que anunciava em toda a parte; que tinha visto, durante três anos, os milagres feitos por Jesus e contudo tinha duvidado muitas vezes; que agora cria e era obrigado a propagar a verdade entre os infiéis.

 

         Acusava-se sempre de seu pecado. O rei mandou ainda aquecer uma sala de banho, para o fechar lá dentro e fazê-lo morrer pelo vapor quente; mas era impossível aquecê-la e havia dentro só ar. Depois quis forçá-lo a sacrificar aos ídolos e Tomé disse: “Se Jesus não quebrar os teus ídolos, então sacrificarei”.

         Então prepararam uma grande festa e dirigiram-se com pompa ao templo. O ídolo, colocado num carro, era todo de ouro. Mas, à oração de Tomé, caiu como fogo do céu, fundiu o ídolo e muitos outros ídolos caíram. Levantou-se um grande tumulto entre o povo e os sacerdotes dos ídolos e Tomé foi novamente lançado no cárcere.

 

            Deste cárcere foi libertado como Pedro, dirigindo-se a uma ilha, onde ficou longo tempo. Deixou catequistas nesse país e partiu para o Japão, onde se demorou meio ano. Depois que voltou, converteram-se ainda muitas pessoas da família real. Os sacerdotes idolatras guardavam-lhe veemente ódio. Um deles tinha um filho enfermo e pediu a Tomé que o curasse; depois, porém, estrangulou o filho, acusando Tomé do assassínio. Este, entretanto, mandou trazer o cadáver e ordenou-lhe, em nome de Jesus, que dissesse quem o matara. O cadáver levantou-se e disse: “Foi meu pai”. Em conseqüência deste milagre se converteram ainda muitos.

 

         Vi que Tomé costumava rezar fora da cidade, à grande distância do mar, ajoelhado sobre uma pedra, a qual conservava as impressões dos joelhos. Um dia predisse que, se o mar, que estava muito distante, chegasse até aquela pedra, viria um homem de uma terra longínqua, para pregar a doutrina de Jesus. Então eu não podia imaginar como o mar pudesse chegar até ali. Mas nesse lugar foi erigida uma cruz de pedras por Francisco Xavier, quando desembarcou.

 

         Vi S. Tomé, de joelhos sobre essa pedra, rezando em êxtase; aproximaram-se traiçoeiramente sacerdotes idólatras, que o atravessaram com uma lança. O corpo do Apóstolo foi transportado para Odessa, onde ainda tenho visto celebrarem-lhe a festa. No lugar em que morreu, ficou-lhe, porém, uma costela e a lança que o transpassou. Ao lado da pedra havia uma oliveira, que foi salpicada com o sangue de Tomé e que exsudava óleo todos os anos, no dia do martírio do Santo e quando isso não acontecia, esperavam os habitantes da região um ano mau.

 

         Vi que os idólatras em vão tentavam desarraigar esse arbusto, que sempre de novo crescia; vi também ali uma Igreja e quando, na festa do Apóstolo, se rezava a Missa, o arbusto exsudava ainda óleo. A cidade tem o nome de Meliapur; agora a situação não é favorável, mas a fé cristã há de firmar-se ali de novo.

 

         Foi-me dito que Tomé chegou à idade de noventa e três anos. Estava queimado pelo sol e muito magro; tinha o cabelo ruivo. Ao morrer, apareceu-lhe o Senhor, dizendo-lhe que ai sentir-se-lhe ao lado, no dia do juízo.

 

         Se não me engano, na ordem de suas freqüentes viagens, depois da divisão dos apóstolos, foi primeiro ao Egito, depois à Arábia e, chegando ao deserto, mandou um discípulo ao Apóstolo Tadeu, para que visitasse o rei Abgar. Depois batizou os reis Magos e percorreu a Báctria, a China, o Tibet, e ao norte, o território russo, voltando dali a Éfeso, para assistir à morte de Maria; da Palestina partiu para a Itália, atravessando depois uma parte da Alemanha, Suíça e França, embarcou para a África e passando pela terra de Judit, pela Abissínia e Etiópia, foi à Socotora; dali foi à Índia e Meliapur, de onde, libertado do cárcere pelo Anjo, se dirigiu, por uma parte da China, ao extremo norte, que agora pertence à Rússia. Dali veio à ilha ao norte do Japão.

           

 

            Trabalhos apostólicos de S. Bartolomeu na Ásia e especialmente na Abissínia, (África)

 

 

O Santo Apóstolo Bartolomeu pregou primeiro na longínqua Índia, onde deixou muitos discípulos e convertidos. Dali partiu para o Japão e voltando, seguiu através da Arábia e do Mar Vermelho, para a Abissínia. Ali converteu o rei Polímio e ressuscitou um morto.

 

Na capital desse país muitos enfermos tinham sido curados por um ídolo; mas desde que Bartolomeu chegara, emudecera o ídolo. Havia na mesma cidade uma casa, em que habitavam muitas mulheres possessas ao demônio. Bartolomeu curou-as todas, ensinou e batizou-as, depois de terem publicamente renunciado a idolatria.

 

“O apóstolo conversava muitas vezes com o rei Polímio, que lhe fazia perguntas muito profundas e o deixava freqüentemente, para consultar grandes rolos escritos. O Apóstolo tinha consigo um rolo escrito, o Evangelho de S. Mateus e dele lia as respostas. Disse-lhe também que o ídolo fazia os homens adoecerem e depois os curava, para os confirmar na idolatria. Mas agora o demônio fora amarrado pelo nome de Jesus e não podia mais agir por meio do ídolo. Prová-lo-ia, se o rei deixasse consagrar o templo ao verdadeiro Deus e recebesse o batismo, com todo o povo. O rei convocou todo o povo ao templo e quando os sacerdotes pagãos quiseram sacrificar, gritou-lhes o demônio do ídolo que não o fizessem, porque estava amarrado pelo Filho de Deus.

 

Bartolomeu ordenou-lhe que manifestasse todas as falsas curas que fizera e o demônio confessou tudo pelo ídolo. Depois pregou Bartolomeu diante do templo e mandou a Satanás que se mostrasse na sua verdadeira forma, para que o povo visse qual Deus tinha adorado. Então este apareceu como horrendo monstro preto, desaparecendo diante deles na terra. O rei mandou destruir todos os ídolos. Bartolomeu, porém, consagrou o templo para servir de Igreja e batizou o rei e a família e pouco a pouco todo o exército. Ensinava, curava os enfermos e era benquisto por todo o povo. 

 

Depois recebeu Bartolomeu do céu a ordem de ir visitar a SS. Virgem. No entanto dirigiram-se os sacerdotes a Astíages, irmão de Polímio, acusando Bartolomeu de feiticeiro. Quando este, pois, voltou da reunião dos Apóstolos àquela terra, não chegou até lá, mas foi preso por emissários de Astíages e levando à presença deste, que lhe disse: “Seduziste meu irmão a adorar o teu Deus; eu te ensinarei agora a sacrificar o meu”. Bartolomeu replicou: “Deus, que me deu o poder de mostrar a teu irmão, Satanás e expulsá-lo diante dele para o Inferno, há de dar-me também a força de esmagar os teus ídolos e de forçar-te a aceitar a fé”.

 

Logo depois veio um mensageiro, anunciando que o ídolo do rei caíra despedaçado. Então rasgou o rei a roupa com raiva e mandou açoitar Bartolomeu, que foi amarrado a uma árvore e esfolado vivo, mas neste martírio não deixou de pregar em alta voz, até que lhe atravessaram o pescoço com uma espada. Esfolaram-no, começando pelos pés e entregaram-lhe a pele nas mãos. Depois da morte lançaram o santo corpo às feras, mas alguns convertidos pobres tiraram-no de noite. Vi que Polímio o buscou, com muito povo e sepultou. Construíram-lhe uma capela sobre o sepulcro. O rei pagão, porém, e os sacerdotes idólatras  que tinham acusado Bartolomeu, endoideceram, após treze dias e fugiram para o sepulcro do Apóstolo, pedindo socorro em alta voz; o rei converteu-se; os sacerdotes, porém, morreram de uma morte horrível”.

 

 

            Os santos Apóstolos Simão e Judas Tadeu na Pérsia

 

 

            Os dois irmãos Simão e Tadeu, depois da separação dos Apóstolos, viajaram algum tempo juntos; depois se dirigiu Simão ao Mar Negro e à Scítia; Tadeu, porém, ao Oriente, onde provavelmente se encontrou com S. Tomé, ficando com este. Depois foi incumbido por Tomé de levar uma carta ao rei Abgar.

 

         Quando Tadeu chegou ao palácio do rei, este viu ao lado do Apóstolo a figura resplandecente de Jesus, diante da qual se inclinou profundamente. O Apóstolo curou o rei da lepra, pela imposição das mãos.

         Tendo curado em Edessa muitos enfermos e convertido muitos infiéis, percorreu, com o companheiro Silas, os países que Jesus já visitara e veio pela Arábia até o Egito. Nessa viagem conseguiu batizar muita gente; povoações inteiras aceitaram a fé cristã.

 

         Simão dirigiu-se, depois da morte de Maria, ao país dos Persas. Tinha por companheiros o discípulo Abdias e alguns outros. Guiados pela Providência Divina, os dois irmãos encontraram-se novamente num acampamento militar e chegaram depois a uma grande cidade (Babilônia).

 

         “Ali foram bem sucedidos; vi acontecerem muitas coisas, das quais não me lembro mais. Somente me recordo do que, numa assembléia, em presença do rei, sacerdotes pagãos se levantaram contra os apóstolos; alguns tinham em ambas as mãos feixes de cobras, do comprimento de um braço, outros tinham em cada mão duas ou três. Essas cobras eram mais redondas e mais delgadas do que enguias; tinham cabeças redondas e pequenas, com a boca sempre aberta, vibrando as línguas como flechas. Os sacerdotes idólatras soltaram as víboras contra os apóstolos; mas vi-as lançarem-se, voando como setas, contra aqueles que as trouxeram, enrolando-se-lhes e mordendo-os, de modo que fugiram, com gritos estridentes, até que os apóstolos ordenaram às víboras que os deixassem. Vi que muitos habitantes da cidade e o próprio rei se tornaram cristãos.

 

         Partiram depois para outra cidade, onde moravam em casa de um homem que era cristão. Amotinou-se o povo da cidade, e vi que os dois apóstolos foram levados, junto com o cristão que os hospedava, a um templo, no qual havia ídolos de ouro e prata, colocados sobre carros. Estava reunida, dentro e fora do templo, uma imensa multidão de povo. Lembro-me que os ídolos se quebraram e várias partes do templo desabaram e que os dois apóstolos foram arrastados no aperto da multidão, sem se defenderem e foram mortos, com toda a espécie de armas, pelos sacerdotes do povo. Vi que a um deles, creio que a Tadeu, foi fendida a cabeça, cortada pelo meio do rosto, com o machado que o povo trazia à cintura. Vi sobre eles celestes aparições”.

         Os corpos dos dois santos apóstolos jazem na catedral de São Pedro em Roma.

 

 

            Trabalhos apostólicos e tribulações dos santos apóstolos Felipe, na Frigia e Mateus, na Etiópia.

 

 

            Sobre os trabalhos do santo Apóstolo Filipe, relata Catharina Emmerich apenas o seguinte:

         “Depois de Pentecostes, foram Felipe e Bartolomeu a Gessur, nas fronteiras da Síria. Felipe curou logo uma mulher da cidade; era muito benquisto pelo povo, mais tarde, porém, foi perseguido”.

 

         A história eclesiástica conta que Felipe chegou também à Frigia, convertendo numerosos pagãos à fé cristã.  Em Hierápoli, cidade desta província, foi arrastado pelos pagãos perante um ídolo do deus Marte, para lhe sacrificar. Dizem que saiu por debaixo do altar uma cobra enorme, que matou dois tribunos e o filho de um sacerdote idólatra. O santo Apóstolo ressuscitou todos os três, mas foi açoitado e crucificado. Quiseram tirá-lo da cruz ainda vivo, mas pediu que o deixassem morrer na cruz, como o divino Mestre e Senhor. Foi atendido este pedido, pois o apedrejaram pendendo a cruz. O martírio deste Apóstolo teve lugar no ano 81.

 

         Do santo Apóstolo Mateus conta a piedosa Catharina Emmerich que estava preso numa cidade da Etiópia e que S. André o curou do veneno que os pagãos lhe tinham derramado nos olhos.

 

         Segundo a tradição, S. Mateus pregou durante 23 anos na Etiópia, convertendo grande multidão de povo á fé cristã, entre outros também o rei Egipo e toda a família. A filha do rei, Efigênia, fez o voto de guardar a virgindade e neste propósito foi confirmada pelo santo Apóstolo. Sabendo disto o tio, que depois da morte do pai usurpara o trono e queria desposá-la, mandou matar o santo Apóstolo. São Mateus foi atravessado por uma lança, no altar, durante a celebração do Santo Sacrifício.

 

 

            Os santos Evangelistas Marcos, em Roma e no Egito e Lucas, na Grécia

 

 

         São Marcos veio a Roma, com o príncipe dos apóstolos, S. Pedro. No seu evangelho escreveu o que lhe ditou S. Pedro.

 

         Quando interrompeu em Roma uma epidemia de peste, erigiu-se, por ordem de Marcos, uma Via Sacra. Cristãos e pagãos que rezavam, percorrendo esta Via Sacra, ficavam livres ou curados da peste. Muitos pagãos, vendo esse milagre, se converteram.     

 

         De Roma se dirigiu São Marcos para o Egito, para pregar ali o Evangelho.

         “Vi-o primeiro em Alexandria; não foi com muito gosto que partiu para lá. Na viagem cortou tão desastrosamente o dedo da mão direita, que o teria perdido, se não fosse curado por uma aparição celeste, com a qual muito se assustou,  como S. Paulo. Em volta do dedo lhe ficou toda a vida uma marca vermelha.

 

         Ao entrar em Alexandria, rasgou-se-lhe a sandália e deu-a a um sapateiro, de nome Aniano, para a remendar. Este se feriu na mão, durante o trabalho; Marcos, porém, curou-a com um ungüento preparado de pó e saliva. Vendo-o, converteu-se Aniano e Marcos foi morar-lhe em casa. Aniano possuía uma casa vasta, muitos escravos, mulher e dez filhos. Numa sala, pertencente à casa entregue a Marcos, se celebravam as primeiras reuniões dos convertidos. Os apóstolos não celebravam o santo Sacrifício numa nova comunidade, antes desta ter sido bem instruída e confirmada. Seguiam já um rito certo na distribuição da sagrada Comunhão, durante o Santo Sacrifício.

 

         Três dos dez filhos de Aniano tornaram-se mais tarde sacerdotes. O pai foi sucessor de S. Marcos.

         O Apóstolo esteve também em Heliópoli. Havia ali um oratório, instituído quando morava ali a sagrada Família; desse oratório foi construída uma igreja e ao lado, mais tarde um pequeno convento. Os que Marcos ali batizou, eram na maior parte judeus.

 

         São Marcos foi preso e lançado num cárcere em Alexandria e morreu estrangulado com uma corda. Quando estava no cárcere, vi Jesus aparecer-lhe, tendo na mão uma patena e dando-lhe um pequeno pão redondo. Vi também que o corpo do mártir foi levado mais tarde para Veneza”.

         Como nos conta a piedosa Emmerich, esteve S. Lucas primeiro com São João, em Éfeso, depois com Santo André. Na terra pátria travou conhecimento com Paulo, a quem depois acompanhou nas viagens.

 

         “Escreveu o Evangelho, a conselho de Paulo e porque circulavam livros apócrifos da vida do Senhor. Escreveu-o 25 anos depois da Ascensão de Jesus, redigindo-o na maior parte com as informações de testemunhas oculares, que procurava por toda a parte. Já no tempo da ressurreição de Lázaro o vi visitar os lugares onde O Senhor operava milagres e informar-se de tudo. Tinha também amizade com Bársabas.

 

         Foi-me também revelado que Marcos escreveu o Evangelho só com informações de testemunhas oculares e que nenhum dos Evangelistas conhecia nem aproveitou na sua obra a dos outros. Também me foi dito que teriam inspirado menos fé se tivessem escrito tudo e que não escreveram os milagres, muitas vezes repetidos, por motivo da extensão do livro.

 

         Vi que Lucas pintou vários retratos da Santíssima Virgem, alguns de modo milagroso. O busto de Maria, que não conseguia acabar, encontrou terminado, ao voltar a si de um êxtase, em que caíra durante a oração. Esse retrato é ainda conservado em Roma, na Basílica de Santa Maria Maior, por cima de um altar, na capela do Presépio, à direita do altar-mor. Não é, porém, o original, mas apenas uma cópia. O original foi antigamente encerrado num muro junto com muitas outras coisas sagradas, por ocasião de uma perseguição; nesse muro, que foi convertido em um pilar, há também relíquias de santos e documentos de muita antiguidade. A Igreja tem seis pilares; é o do meio, à direita, de modo que o sacerdote, dizendo a Missa no altar da imagem de Maria, ao dizer: Dominus vobiscum, indica com a mão direita esse pilar.

 

         Lucas pintou também o retrato inteiro de Maria, vestida de noiva; mas não sei onde se acha agora esse quadro. Outro, em vestes de luto, corpo inteiro, creio tê-lo visto numa Igreja, onde se guarda o anel nupcial de Maria.

 

         Lucas pintou também Maria, como indo ao descendimento de Cristo da cruz; deu-se isto de um modo milagroso: depois que todos os Apóstolos e discípulos tinham fugido, vi Maria, ao crepúsculo a caminho do Calvário, creio que acompanhada de Maria, filha de Cléofas e Salomé. Vi que Lucas estava ao lado do caminho e comovido diante daquela inconsolável dor, estendeu-lhe um lenço, com o desejo de que nele lhe ficasse impressa a imagem. Achou realmente o retrato no lenço, como uma sombra a passar e conforme essa imagem, pintou o quadro, contendo duas figuras: ele, com o lenço e Maria, passando-lhe em frente. Não sei se Lucas estendeu o lenço só com o desejo de receber o retrato ou seguindo o costume de estender um lenço aos tristes ou porque desejasse praticar para com Maria o ato de caridade que Verônica fizera para com Jesus.

 

         Creio ter visto esse quadro de S. Lucas guardado por um povo estranho, que vive entre a Síria e a Armênia. Não são verdadeiros cristãos, crêem em João Batista, têm um batismo de penitência, que receberam todas as vezes que se querem purificar dos pecados. Lucas pregava o Evangelho nessa região, operando muitos milagres por meio desse quadro. Perseguiram-nos e faltou pouco para o lapidarem; o quadro, porém, ficou lá. Lucas levou consigo doze homens desse povo, os quais tinha convertido. Aquela tribo morava numa montanha, cerca de doze horas de caminho a leste do Líbano. No tempo de S. Lucas contava apenas algumas centenas de almas. A Igreja local era como uma gruta na montanha; para entrar nela, era preciso descer; olhando para cima, viam-se cúpulas, nas quais havia janelas, como se vêem nas abóbadas das nossas Igrejas.

 

         Tenho visto esse quadro de S. Lucas naquela região, em tempos mais recentes; não sei se foi em nosso tempo, mas é possível; pois no tempo de S. Lucas tudo era muito simples. Mas agora a Igreja parecia maior; o povo parecia ter também muitas cerimônias diferentes; o sacerdote estava sentado diante do altar, debaixo de um arco, o quadro pendurado no alto da abóbada e diante dele ardiam muitas lâmpadas; já estava enegrecido e indistinto. Recebem muitas graças por meio do quadro e veneram-no, porque têm visto milagres feitos por ele.

 

         Lucas foi suplicado como bispo, em Tebas, se não me engano. Vi-o amarrado com uma corda a uma árvore e morrer a golpes de dardos. Um desse lhe transpassou o peito e o corpo caiu-lhe para a frente; então o amarraram de novo, lançando-lhe depois mais dardos. De noite foi sepultado secretamente.

 

         O remédio, de que S. Lucas se serviu, no seu tempo de médico, era resedá, misturado com óleo de palma benta. Ungia com esta mistura a testa e os lábios em forma de cruz; usava também, às vezes, resedá seco, com infusão de água.

        

 

            S. Barnabé, S. Timóteo e S. Saturnino

 

 

            Como já mencionamos, foi Barnabé enviado pela Igreja de Jerusalém a Antioquia, onde, junto com S. Paulo, pregou durante um ano o santo Evangelho, com grande êxito, até que o Espírito Santo deu, pela boca dos profetas dessa Igreja, a ordem: “Separai-me Paulo e Barnabé para a obra, para a qual os destinei”. Depois de terem recebido a consagração episcopal, S. Barnabé acompanhou S. Paulo por algum tempo. Tendo-se separado dele, fez ainda algumas viagens apostólicas. Diz a tradição que chegou até Milão, sendo o primeiro que nessa cidade anunciou a fé cristã. Foi lapidado pelos judeus, na ilha de Chipre, sua terra natal, sendo-lhe o corpo lançado numa fogueira, que, porém, não o queimou; os discípulos sepultaram-no. Quando o acharam, no tempo do imperador Zeno, encontraram-lhe sob o peito uma parte do Evangelho de S. Mateus. Barnabé também escreveu alguma coisa.

 

         Timóteo, discípulo de S. Paulo, estava preso na ilha de Quios, ao mesmo tempo que S. João se achava no cativeiro, na ilha de Patmos.

 

         “Vi-o: era um homem alto, com cabelos e barba preta, magro e pálido. Nas viagens vestia um manto cinzento, preso no meio do corpo pela cinta; como bispo, usava um longo manto, de cor parda escura, bordado grosseiramente de grandes florões de ouro, com fio grosso como barbante, mas produzindo belo efeito; revestia-se também de uma estola no peito, uma cinta, sobre a cabeça uma mitra baixa.

 

         Todos o amavam; tinham em Quios uma comunidade de convertidos; até os soldados da guarda aderiram à fé.

 

         Havia ali uma mulher cristã rica, que caíra numa vida pecaminosa. Um dia, quando Timóteo estava para dizer a santa Missa numa capelinha e já se achava diante do altar, viu em espírito aquela infeliz, que se aproximava da Igreja. Então lhe foi ao encontro na porta, repreendeu-a pela vida pecaminosa e excomungou-a. Em conseqüência disso se levantou uma perseguição contra Timóteo, que foi desterrado para a Armênia, mas posto em liberdade antes de S. João voltar de Patmos. Paulo mandou-o, como bispo, a Éfeso, onde foi assassinado pelos pagãos, por ocasião de uma festa, em que percorriam a cidade com mascaras, carregando ídolos em triunfo. S. Timóteo tinha pregado veementemente contra esses costumes pagãos”.

 

         Saturiano, que era como André um dos primeiros que seguiram a Jesus, depois do Batismo, pregou em Tarso, depois da morte de Jesus. Ali teria sido morto a pancadas e pedradas, mas um vento forte lançou tanta poeira e areia nos olhos dos perseguidores, que pôde fugir.

 

         Esteve também em Roma, com S. Pedro e foi enviado por esse à Gália. Esteve Arelat, Nimes e muitos outros lugares desse país. Em Toulouse ficou mais tempo, convertendo muita gente, entre outros também uma mulher, que curara da lepra. Ali também morreu mártir. Num monte, em cujo cume havia um templo pagão, Saturnino foi amarrado a um touro. Aguilhoando o touro, fizeram-no correr na ladeira íngreme para baixo; o touro, enraivecido, caiu e pisando, esmagou a cabeça do Santo. Celebra-se-lhe a festa a 29 de Novembro.

 

 

            S. Lázaro, Marta e Madalena no sul da França

 

 

            Três ou quatro anos depois da morte de Jesus os judeus prenderam Lázaro, Marta e Madalena e abandonaram-no numa pequena embarcação, que já fazia água e sem remos nem velas, no alto mar; puseram na mesma barca o discípulo Maximino, um cego de nascença curado por Jesus, de nome Cheliônio e duas meninas. Com o auxílio de Deus escaparam da morte; pois a barquinha foi impelida sobre o mar com velocidade sobrenatural e aportou à costa meridional da França, perto da cidade que hoje se chama Marselha. Quando chegaram a esta cidade, estava o povo justamente a celebrar uma festa idólatra.

 

         “Os sete estrangeiros – conta Catharina Emmerich – sentaram se sob as arcadas de uma praça pública, diante de um templo. Ficaram assim sentados por muito tempo; tendo-se reconfortado um pouco, com alimento tirado de pequenas vasilhas que trouxeram consigo. Começou Marta a falar ao povo, que se lhe juntava em roda e disse-lhes como tinham chegado ali. Falou também de Jesus em tom muito vivo e comovido. Mais tarde vi que alguns lhes jogavam pedras, para os afastar dali; mas as pedras não os feriam e eles ficaram tranqüilamente sentados, até a manhã seguinte. No entanto começaram os outros também a falar e já lhes aderiam várias pessoas. Na manhã seguinte vieram uns homens de uma casa grande, que eu tomei pela câmara municipal; interrogaram-nos acerca de muitas coisas. Ainda ficaram um dia inteiro sob a arcada, falando com os transeuntes, que se lhes juntavam em roda.

 

         Ao terceiro dia foram todos conduzidos àquela casa e apresentados ao prefeito, na câmara; as mulheres foram conduzidas a outra casa da cidade; tratavam-nos bem e davam-lhes de comer. Vi que ensinavam em qualquer parte que chegavam e que o prefeito mandou proclamar por toda a cidade que ninguém fizesse mal a essa gente. Dentro em pouco muitos pediram o santo batismo; Lázaro batizava numa grande pia que havia na praça pública, diante do templo, o qual em pouco tempo estava quase abandonado. Creio que o prefeito da cidade também se deixou batizar. Vi também que não ficaram muito tempo juntos; Lázaro, como bispo, continuou a pregar a doutrina”.

 

         Marta, com as duas meninas, suas criadas, dirigiu-se a uma região deserta, montanhosa, perto da cidade moderna de Aix, onde habitavam algumas escravas pagãs, que se converteram e onde construíram mais tarde um convento e uma Igreja.

 

         Havia, porém, no rio daquela região um monstro, que dava grandes prejuízos. Marta encontrou-o à ribeira, devorando justamente um homem. Ela venceu o monstro, lançando-lhe o cinto em roda do pescoço, em nome de Jesus e estrangulou-o e o povo, acorrendo, acabou de matá-lo.

 

         “Marta pregava o Evangelho muitas vezes diante de grande multidão do povo, na campinha e à margem do rio. Costumava para isso construir um púlpito de pedras, com auxílio das companheiras; colocavam as pedras em forma de escada; por dentro era como uma abóbada. Em cima colocavam uma pedra larga, sobre a qual ela pregava. Ela sabia fazer essa construção melhor do que um pedreiro, pois era muito ativa e empreendedora.

 

         Uma vez estava ensinando sobre o tal montão de pedras, à margem do rio, quando um jovem tentou atravessar o rio a nado, para a ouvir; a corrente, porém, levou-o e ele morreu afogado. Injuriaram-na por isso os habitantes da região, acusando-a também de ter convertido aquelas escravas. Tendo o pai do rapaz afogado encontrado o cadáver do filho, trouxe-o na presença de muito povo e, colocando aos pés de Marta, disse que creria no seu Deus, se ela desse novamente vida ao filho.

 

         Vi que Marta ordenou ao cadáver, em nome de Jesus, que voltasse à vida e que se levantou vivo. O ressuscitado, o pai e muito povo tornaram-se cristãos. Outros, porém, perseguiram Marta como feiticeira. Um dos companheiros, que com ela viera da Palestina, vinha visitá-la e dava a ela a sagrada Comunhão. Marta trabalhava e ensinava, convertendo muitos”.

 

Quando Madalena se separou de Marta, retirou-se sozinha para uma região deserta, bem longínqua, onde vivia numa gruta. Maximino ia às vezes lá, encontrando-a em meio caminho, para dar-lhe a sagrada Comunhão. Morreu pouco antes de Marta e foi também sepultada no convento de Santa Marta. Sobre a gruta construiu Maximino uma Igreja.

 

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Fonte: Extraído do Livro "Vida, Paixão e Glorificação do Cordeiro de Deus - Anna Catharina Emmerich - Ed. MIR.

 

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