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PADRE GABRIELE  AMORTH

 

Famoso Exorcista da diocese de Roma.

 


 
O Divino Espírito Santo.

www.obradoespiritosanto.com

 

 

AS AJUDAS DO EXORCISTA

 

 

“Expulsarão demônios em meu nome” (Mc 16,17).

Estas simples palavras de Jesus são suficientes para conferir o poder de expulsar os demônios a todos os que acreditam nEle. O segredo do exorcista é a força do Nome de Jesus; certamente não é uma força pessoal, própria do sacerdote autorizado a desempenhar este ministério. O evangelho é claro quando exige a fé que certos tipos de demônios são expulsos apenas com a oração e o jejum; nestes casos, não são suficiente ou não servem os exorcismos.

 

         Que outras características se exigem do sacerdote exorcista?

 

O cânon nº 1172 do Direito Canônico enumerado no nº 13 do Ritual Romano para a Celebração dos Exorcistas, responde. Ou seja, olhando para a história da Igreja e, em particular, lendo a vida dos santos, o requisito principal do exorcista é a santidade. Nós exorcistas sabemos muito bem que não somos santos, apesar de nos esforçarmos por melhorar e nos convertermos. O já falecido e meu grande amigo padre Pellegrino Ernetti, beneditino de dotes excepcionais, que foi exorcista na Veneza durante quarenta anos, dizia-me que se confessava dia sim, dia não; e, por vezes, dia sim, dia sim; ou seja, todos os dias.

 

         Desde o início, como nos testemunham também os primeiros padres da Igreja, foram utilizadas fórmulas e objetos sagrados, que aumentaram quando a Igreja instituiu, no século IV, o sacramental do exorcista e que, em parte, também são sugeridos no Ritual Romano.

 

         Por outro lado, cada exorcista, com base na devoção e experiência, acrescenta outras particularidades, sem uma ordem precisa: a imposição das mãos na cabeça da pessoa atormentada, o uso da estola de cor roxa colocada também sobre os ombros da pessoa a exorcizar, a presença de um crucifixo, o Sinal da Cruz e a bênção com água-benta. Acrescento a utilização de relíquias, de medalhas ou outros objetos sagrados; a unção como óleo de proveniência diversificada e, por vezes, também constatei a utilidade de soprar sobre o rosto do possesso (já Tertuliano testemunhava: “Nós expulsamos os demônios com o sopro da nossa boca”). Outras vezes, recorre-se a objetos sagrados de eficácia comprovada, como o “colar” de São Vicinio de Sarsina (Forli) ou às relíquias.

 

         Acrescento que, ao utilizar estes objetos, é sobretudo necessário ter muita fé e discrição: não são certamente os objetos que têm poder em si mesmos, apesar de darem a impressão disso (por exemplo, as furiosas reações de certas pessoas à água-benta). Bem sabemos que os sacramentais atuam ex opera operantis, ou seja, por eficácia da fé.

 

         É meu dever também fazer refêrencia aos desvios perigosos que, por vezes ocorrem. A busca do caminho mais fácil, dos meios materiais que se demonstram mais úteis, por vezes, fez com que os exorcistas caíssem em alguns truques do diabo. É o caso por exemplo, quem utiliza o pêndulo (mesmo quando tem pendurado um crucifixo!) pra diagnosticar se existe ou não uma presença maléfica. A respeito desta pratica, existe uma explicita proibição da Congregação da Fé.

 

Também há quem pingue umas gostas de azeite dentro de um prato cheio de água, como uma maneira de obter respostas. Poderia continuar a dar exemplos deste tipo. Quem age assim cai na magia quase sem perceber. Infelizmente, soube de alguns exorcistas que, por esses motivos, se tornaram verdadeiros magos.

         Fiz referência aos objetos de que o exorcista pode se servir para aumentar a eficácia do seu ministério; mas desejo, sobretudo, focar os auxílios humanos, ou seja, as pessoas que podem ajudar o exorcista, se ele desejar tal auxilio (é ele o juiz e o responsável pela escolha): os que rezam, os carismáticos e os médicos.

        

 

Ajudas ou condicionamentos?

 

 

            É importante que sejam esclarecidos alguns pontos a respeito de ajudas aos exorcistas, baseado na minha experiência pessoal e de algumas sugestões recebidas.

 

         1- As ajudas de que falarei podem ser úteis, mas nunca são imprescindíveis. Os exorcismos que lemos na Bíblia, nas vidas dos santos, nos testemunhos dos mais conhecidos exorcistas, mesmo de tempos mais recentes, nunca falam destes auxílios: o exorcista atua sozinho, mesmo quando presente alguma pessoa que acompanha o possesso e que se disponibiliza para uma ajuda de tipo físico, de maneira que o exorcizando não se machuque, em caso de agitação. Por isso, é plenamente legítimo o método de quem não requer o auxilio de ninguém. Julgo que é o caso mais freqüente. Pode depender de uma escolha pessoal ou pode depender da falta de pessoas adequadas.

 

         2- O responsável pelo diagnóstico e pelo desenrolar do exorcismo é o exorcista e apenas o exorcista, embora ele possa errar. É um ponto muito importante. É um grande problema quando um exorcista se deixa levar por um carismático ou por um médico que o assista. É um desvio radical em relação à faculdade que a Igreja lhe conferiu por meio do Bispo. É função do exorcista e apenas do exorcista discernir as sugestões ou conselhos que lhe são dados por aqueles que têm o carisma ou pelos médicos; é sua função dar-lhes crédito, ou não, e em que medida. Assim como também é a sua função pedir, ou não, auxílio.

         Alguns exorcistas apresentam a carismáticos ou médicos determinados casos que têm em tratamento para ouvir suas opiniões; contudo, excluem a sua presença durante os exorcismos. Também este procedimento é legitimo.

 

         3- A nossa intenção é a de ajudar as pessoas, por isso, também é necessário ter bem presente os desejos e as expectativas de quem recorre aos nossos serviços. Por vezes, pode ser oportuna uma informação prévia de maneira que a pessoa esteja preparada, ou então possa recusar o encontro. Digo isto porque nem todas as pessoas estão dispostas a encontrar um grupo, mesmo que restrito, quando na realidade querem apenas encontrar-se com o exorcista. Outras vezes, aquelas pessoas já recorreram repetidamente a curas psiquiátricas podem mesmo ficar desanimadas se se depararem com um médico. São circunstâncias a avaliar com cuidado.

 

 

Os que rezam e os carismáticos

 

 

         Existem aquelas pessoas que assistem ao exorcismo apenas para rezar e ajudar; já os carismáticos são as pessoas que, para além do necessário empenho de oração, têm um ou outro carisma específico, de utilidade para os nossos casos: o carisma do discernimento, da intercessão, da libertação... Quero deixar clara a distinção entre carismáticos, sensitivos e ocultistas! É necessário que as pessoas que assistem sejam bem escolhidas, experientes e dotadas de verdadeira caridade e desinteresse. Gostaria de apresentar algumas sugestões:

 

         1- O número dos presentes deve ser limitado, em nome daquela discrição a que o Ritual Romano faz referência no número 19 e que é exigida, para além do desejo dos pacientes, também pela natureza própria do exorcismo, quando podem acontecer coisas aparentemente inexplicáveis. É certamente desejável que o exorcista seja ajudado por pessoas que rezam pelo bom êxito do seu ministério; ainda melhor é se esta oração for feita em grupo, numa Igreja contínua ou não, mas sempre simultaneamente quando da realização do exorcismo.

 

         2- Os que rezam e os carismáticos devem saber que estão, obrigados aos segredos: sobre a identidade das pessoas envolvidas, sobre as suas perturbações, sobre as reações que têm durante os exorcismos. Esta recomendação é desnecessária para os médicos, já habituados ao segredo profissional, mas não para os demais. Ainda que a presença de ajudantes seja, em minutos casos, preciosa (são eles quem seguram o possesso se tal for necessário, quem limpam a boca daqueles que começarem a espumar, etc.). De qualquer modo, devem ser decididamente descartadas aquelas pessoas que não sabem manter segredo.

 

         3- Por vezes, os ajudantes estão habituados às orações de libertação. Devem, por isso, perceber a diferença e o papel que desempenham quando assistem um exorcista, ou seja, não precisam fazer nada mais do que é pedido. Quem atua é o exorcista, sendo evidente que os Sacerdotes presentes, mesmo que não sejam exorcistas, podem se associar às orações. Todos os outros rezarão em voz alta apenas quando o exorcista recitar orações conhecidas, fora das fórmulas do exorcismo; durante o exorcismo, porém, rezam em silêncio.

 

         4- Da parte de todos exige-se muita fé e humildade, sabendo que só o Senhor pode dar eficácia ao exorcismo.

 

 

O ministério do exorcismo

 

 

         O exorcismo é um ministério de graça. Só em parte pode ser classificado entre as orações de intercessão; é um poder que Jesus conferiu a quem acredita nele, por isso tem características totalmente específicas.

 

Por exemplo, quando ordenamos ao demônio: Em nome de Cristo, vai-te embora”, não se trata certamente de uma oração de intercessão, mas de uma ordem autoritária pronunciada em obediência ao Divino Mestre e que tem força apenas em virtude da intervenção do Espírito Santo.

         Embora seja considerado um sacramental, o exorcismo tem características particulares. Por exemplo, os sacramentais devem seguir estritamente um rito estabelecido pela Igreja.

 

O exorcismo, pelo contrário, tem um andamento que varia de caso para caso, de acordo com o comportamento da pessoa exorcizada e de acordo com a experiência do exorcista. A própria duração, que pode variar entre poucos minutos e muitas horas, faz-nos compreender que não é possível uma regulamentação muito rígida. Quem pensa que pode conduzir um exorcismo como um rito litúrgico certamente que nunca fez nem viu fazer exorcismos.

 

         Atualmente o exorcista encontra-se desprovido de instruções especificas, numa situação de incompreensão pelos confrades Sacerdotes pelos motivos que já procuramos ilustrar, assim como é mal tolerado nos locais em que trabalha e dos quais, muitas vezes, é “posto na rua”. É por isso que me pareceram providenciais os congressos de exorcistas e procurei evidenciar os auxílios de que um exorcista pode servir-se. Embora seja verdade que só a graça de Deus faz com que um exorcismo seja feliz.

 

         O recurso de uso de objetos, como indicamos, é atualmente generalizado, sobretudo no que diz respeito ás indicações do Ritual; mas digamos também que o seu uso também não é necessário; já me encontrei na necessidade de fazer exorcismos sem usar objeto algum (nem estola, nem crucifixo, nem água-benta...), e não me apercebi de sua falta.

         O mesmo vale para o auxílio prestado pelas pessoas; poderá ser útil em certos casos, mas nem sempre será necessário; nunca poderá ser uma equipe de especialistas a estabelecer a presença, ou não, de um malefício ou de uma possessão, pois não pode ser sujeita a simples análises humanas.

 

         O parecer unânime dos psiquiatras, que separam claramente os âmbitos de competência, é muito significativo.

         Até porque o exorcista deve regular-se com base nas suas possibilidades e nas suas necessidades. Quando um exorcista recebe de 60 a 80 pessoas numa manhã, como acontecia com o padre Cândido, ou então, recebe de 400 a 500 pessoas por semana, como se passava com o padre Ernetti, é claro que deve invocar muito mais graça e luz do Alto.

 

As situações um pouco de cada vez, durante a série de exorcismos, só naqueles casos que considera obrigatório acompanhar com os exorcismos; mas não têm hipótese de assegurar exames iniciais longos que, além do mais, resultariam inúteis.

 

         O exorcista pode errar e pode ficar na dúvida. Pode errar, e por isso as pessoas têm a total liberdade de se dirigirem a outros. Pode ficar na dúvida, coisa que já me aconteceu várias vezes. E tendo falado do auxílio prestado pelos orantes, pelos carismáticos e pelos médicos, não seria totalmente verdadeiro se não falasse do auxílio que pode vir de outros exorcistas. Já em várias ocasiões, senti a necessidade de apresentar pessoas, que eu exorcizava, a outros exorcistas (naturalmente de acordo com os interessados) e encontrei grande utilidade no parecer que me foi dado por estes confrades.

 

Fonte: Extraído do Livro "Exorcistas e Psiquiatras" - Pe. Gabriele Amorth - Ed. Palavra & Prece.

 

 

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