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PADRE GABRIELE  AMORTH

 

Famoso Exorcista da diocese de Roma.

 


 
O Divino Espírito Santo.

www.obradoespiritosanto.com

 

 

 

SOBRE O ESPIRITISMO.

 

 

         Outra ramificação do ocultismo é o espiritismo ou necromancia.

Falar de espiritismo significa enfrentar um tema muito difícil, que coloca em evidência um mal atualmente em grande expansão, especialmente entre os jovens: encontramos-nos frente a um mal que, mais uma vez, é fruto da falta de fé; é um modo de buscar a verdade por caminhos desviados, bem distantes do recurso ao único Mestre.

Trata-se, também, de um tema que tem muitos aspectos envolvidos, muitas conseqüências; por isso, nosso discurso, embora limitado ao que nos parece de maior utilidade prática, implicará também a algumas divagações sugeridas enquanto formos expondo.

        

 

O que é o espiritismo?

 

           

É evocar os falecidos ou os espíritos, para interrogá-los.

Evocar, ou seja, apelar para a sua presença, quase sempre em formas não visíveis e não sensíveis, mas sempre com o objetivo de lhe requerer uma resposta. Evocar os falecidos, ou seja, as almas dos mortos é um conceito claro. O mesmo não podemos dizer dos espíritos.

Conhecemos os espíritos puros, os anjos, criados bons por Deus; também sabemos que uma parte deles se revoltou contra Deus, transformando-se em demônios. Nada mais sabemos. Os espíritas falam também de um espírito-guia, de entidades não muito bem identificadas, ou citam outros nomes que cheiram a filmes de terror; ou seja, trata-se de invenções humanas, totalmente inconsistentes.

 

         Digamos desde já que o espiritismo existe desde que o homem existe. Em todos os povos, mesmo nos mais antigos, encontramos este desejo, esta tentativa de falar com os mortos, utilizando métodos e pessoas de acordo com a mentalidade sócio-cultural da época e do povo.

E gostaria de ressaltar um aspecto positivo destas tentativas, importante e, em parte, justificado pela humanidade privada da luz da revelação: pode se notar uma convicção inata da imortalidade da alma, muito antes dos grandes filósofos terem fornecido demonstrações racionais.

 

Qual o motivo desta ânsia de querer falar com os falecidos? Quais os motivos principais? Parece-me que podemos resumi-los da seguinte maneira.

         1- A curiosidade ou o desejo de conhecer. A curiosidade de ver se a tentativa resulta e que coisa se aprende, o que é que é dito, ou melhor, respondido. Ou, então, o desejo de saber se existe realmente o além, como é que é feito, como se vive nele.

2- Um segundo motivo pode ser o afeto para com a pessoa falecida, de quem a pessoa não se quer separar; o desejo de falar com ela, de saber como está, de senti-la viva e próxima.

3- Um outro motivo muito forte é o interesse em saber informações sobre acontecimentos futuros, supondo que os falecidos os conhecem; ou, então, o interesse em eventuais conselhos que possam nos dar momentos de dúvida e de decisão.

4- Acrescento um outro motivo, sobretudo no caso da invocação dos espíritos: o desejo de proteção da própria pessoa, ou o desejo de obter poderes particulares que os dominem ou que possam ser utilizados em proveito próprio.

 

         Parece-me que, para quem tem fé e recebeu o grande dom de conhecer as verdades reveladas, são bastante claros os motivos pelos quais a Bíblia, na sua totalidade, Antigo e Novo Testamentos, e a autoridade da Igreja, proíbem todas as formas do espiritismo.

Quem tem fé procura e encontra respostas às suas dúvidas nas palavras divinas. Deus falou. Querer procurar as verdades no mundo terreno, não se dirigindo a Deus, mas seguindo os desvios dos expedientes humanos, é uma culpa grave contra o primeiro mandamento, é mergulhar na superstição, é desviar-se da verdade para aderir ao erro.

Quem é que responde nas sessões de espiritismo? Podem ser truques, sugestões, fenômenos paranormais, intervenções diabólicas... É por isso que as condenações da Bíblia são tão fortes: “Quem invocar os mortos é abominável para Deus” (cf. Dt 18,12). E igualmente claras são as condenações eclesiásticas.

 

Limito-me a citar algumas: “Não é permitido participar, com médium ou sem médium, servindo-se ou não do hipnotismo, em sessões ou manifestações de espiritismo, mesmo que tenham aparência honesta e piedosa, quer se interroguem as almas ou os espíritos, quer se escutem as respostas; quer mesmo se limitem a observar” (Santo Ofício, 24 de abril de 1917).

É uma resposta particularmente completa e adequada ao nosso tempo. Por exemplo, quando diz com médium ou sem médium, parece antecipar os nossos dias, em que as sessões de espiritismo são, sobretudo, feitas mediante o jogo do copo ou da moeda, com o gravador, com a televisão, com o telefone, com o computador e, sobretudo, com a psicografia. E quando afirma “mesmo que tenham aparência honesta e piedosa”, parece prever certas formas e certos movimentos, tipo o Movimento da Esperança, a que faremos referência mais adiante.

Agora, queremos também recordar, brevemente, a parte positiva, ou seja, tudo aquilo que a revelação nos diz a respeito dos mortos. Antes de mais nada, sabemos que as almas dos mortos vão de imediato, ou para o Paraíso, ou para o Purgatório, ou para o Inferno.

 

É verdade também afirmada por dois concílios ecumênicos: o de Lião e o de Florença. Podem surgir novos aprofundamentos, mas o pensamento expressado pela Bíblia é claro e abundante de conseqüência práticas. Cito o principal. Só temos esta vida como período de prova: não há outra solução. O Evangelho tem expressões que não deixam dúvidas.

Por isso, a fábula de reencarnação, em que acreditam as religiões orientais e, atualmente, pelo menos um quarto dos italianos, é inadmissível e em clara contradição com a fé da ressurreição, que está na base do cristianismo. Os descrentes podem ter motivos de justificação e, talvez, a reencarnação lhes seja sugerida pela intuição de que a alma é imortal. Mas é um erro imperdoável a quem recebeu a revelação e acredita na ressurreição da carne, merecida pela ressurreição de Cristo.

A fé diz-nos ainda mais qualquer coisa sobre a atividade das almas dos falecidos. Pensemos no grande dogma da comunhão dos santos. Diz-nos que as almas do Paraíso podem acolher as nossas orações e interceder por nós; as almas do purgatório podem receber os nossos sufrágios e obter-nos graça. Tudo isso acontece, não por vida direta, mas através de Deus.

 

Deste modo, podemos pensar que, mediante Deus, os nossos queridos falecidos acompanham as nossas atividades. Notemos um pequeno detalhe, na parábola do rico glutão: mesmo vendo Lázaro no seio de Abraão (que representa Deus), ele nunca se dirige diretamente a Lázaro, mas sempre a Abraão: “Manda Lázaro...” Porque entre nós e os falecidos existe uma separação insuperável; vivem numa outra dimensão; só por meio de Deus pode existir relação.

Pode aparecer que pouco foi dito a respeito da atividade das almas dos falecidos. E nós, exorcistas, encontramo-nos freqüentemente diante de problemas que gostaríamos de aprofundar – dedicaremos um capítulo a isso.

 

Creio que, quando os teólogos voltarem a amar mais a teologia do que a sociologia, poderemos enriquecer o nosso patrimônio de conhecimentos contidos na Bíblia explícita e implicitamente. Mas é sempre na revelação que devemos nos basear. Quem quiser seguir os desvios do espiritismo afasta-se de Deus e da verdade.

Alguém pode torcer o nariz e pensar que tudo o que se disse é insignificante e que a fonte da revelação não é suficiente. Recordemos, então, que nos encontramos no campo do sobrenatural, em que a ciência humana não consegue penetrar, tal como não penetrarão jamais as demonstrações científicas: estas valem somente para o homem viver sobre esta terra fará sempre novas descobertas.

 

Mas as verdades sobrenaturais, aquelas que dizem respeito ao mundo invisível, nunca serão submetidas à demonstração científica ou aos aprofundamentos científicos: a imortalidade da alma, a existência dos anjos e dos demônios, a existência do Paraíso-Purgatório-Inferno, a própria existência de Deus. Neste campo, apenas a revelação nos dá a certeza, e a fé é um dom do Espírito Santo, não é fruto do esforço humano.

 

 

É possível contatar com os falecidos?

 

 

            Existe uma diferença radical entre a vida terrena e a Vida Eterna.

Dissemos anteriormente que as almas dos falecidos vão de imediato, ou para o Paraíso ou para o Purgatório ou para o Inferno. A revelação dá-nos os dados essenciais, aquilo que é necessário conhecer para a nossa salvação. Ter fé é não só acreditar nesses dados, mas também contentar-se com eles; não há fé se não houver humildade, é a própria Bíblia que nos avisa quando diz: “não investigueis coisas que superam as tuas forças” (Eclo 3,21).

É de tal maneira grande a diferença entre esta vida e a outra que quem dela fez experiência, como São Paulo, se limita a dizer que a língua humana não pode expressar aquilo que viu e ouviu (2Cor 12,4).

 

         Por exemplo, os teólogos questionam se o Paraíso é um estado, um modo de ser ou um lugar. Deste modo, certamente que as duas dimensões terrenas de espaço e tempo têm um significado totalmente diferente nesta vida ou na do além; embora para os homens e para os anjos existam sempre limites, porque só Deus é infinito.

Acrescento também que a condição dos falecidos e, até, dos próprios demônios é provisória, até o fim do mundo. O homem é formado por alma e corpo; este conjunto foi dividido pelo pecado que conduziu à morte (“Se comerdes, morrereis”, tinha dito Deus a Adão e Eva).

Com a sua ressurreição, Cristo mereceu a ressurreição da carne, que só se realizará para a humanidade, excetuando Nossa Senhora, no fim dos tempos. É por este motivo, para dar um exemplo, que a felicidade do tempo presente experimentada por São Francisco é incompleta; só será completa depois do fim do mundo, quando também o seu corpo for glorificado juntamente com a alma.

 

Até para os demônios, a situação presente é provisória, embora seja irreversível a sua decisão e sorte. São Pedro e São Judas dizem-nos que, entretanto, os demônios estão encarcerados no Tártaro, à espera do juízo final; é um fato que, até o último dia, têm poder para utilizar a sua atividade maléfica de ódio contra Deus e contra o homem.

         Como se vê, quando falamos do além, gaguejamos. Sabemos tão pouca coisa que o próprio São Tomás nos convida a levar em consideração as revelações privadas dos santos. Tinha de fazer esta premissa, embora com todas as questões que levanta, para valorizar ao máximo os dados da revelação e as regras de comportamento que a revelação nos sugere, sem nos espantarmos demasiado com o que não conhecemos. É só com base nestas considerações que se pode falar da invocação dos falecidos; é esta a forma mais difundida, embora aquilo que dizemos também valha para a invocação dos espíritos.

 

         Já dissemos que o espiritismo está se difundindo, e muito. Se no século passado era quase só atributo dos adultos, que costumavam convidar um médium para que invocasse os mortos, atualmente predominam outras formas, que já enumeramos e que conhecem ampla difusão.

Monsenhor Casale, Arcebispo de Foggia e presidente do CESNUR, realizou uma sondagem na sua diocese. Os resultados finais dizem que 36% da juventude das escolas secundárias já experimentou, algumas vezes, o espiritismo; 17% dos mesmos jovens estão realmente convencidos de ter estado em contato com os falecidos.

 

Baseado nos dados parciais que me chegaram de outras partes da Itália, creio que estes resultados podem ser generalizados a todos os países. Acrescento o fato de que, com os novos sistemas (gravador, telefone, computador, televisão, psicografia...) o espiritismo pode ser feito individualmente, sem necessidade da junção de um grupo.

         Antes de continuar, que me seja permitida mais uma divagação. Uma influência indireta que estimula a prática do espiritismo provém de outra fonte, que nada tem a ver com o espiritismo.

 

Após a publicação do livro R.A. Moody, La vita oltre la vita ( A vida para além da vida), Ed. Mondadori, foram publicados outros livros análogos que relatam testemunhos de pessoas em coma, clinicamente mortas, mas que depois recuperaram. São relatos muito semelhantes entre si e otimistas; as pessoas contam que se acharam envolvidas por um ambiente luminoso, circundadas por uma sensação de amor, que as levou a experimentar quase que um certo desprazer quando perceberam que estavam regressando à vida terrena.

É claro que, nestes casos, as pessoas ainda não estavam mortas (não é fácil estabelecer o momento exato da morte!); são casos que devem ser estudados do ponto de vista cientifico; e, repito, mesmo que tenham revigorado o desejo de conhecer aquilo que se passa depois da morte, não têm qualquer relação com o espiritismo.

        

Que devemos dizer às pessoas que se dedicam ao espiritismo?

Que devemos dizer aos pais que, despedaçados pela morte repentina de um filho, se refugiaram no conforto das mensagens que o morto envia através do gravador ou da psicografia? Nesta situação, nos encontramos diante de uma escolha voluntária: se quisermos viver na verdade e não correr atrás de fábulas, devemos seguir aquilo que a fé nos sugere. Se, pelo contrário, quisermos o falso conforto, de quem engana ou se auto-engana, os caminhos desviados são inúmeros.

 

         Uma vez que considero que o leitor procura a verdade, apresentarei três afirmações fundamentais, sobre as quais procurarei ser claro:

 

1- “Quem interroga os mortos é abominável aos olhos de Deus”; Deus pode permitir que um morto apareça ou se faça presente, de uma maneira ou de outra. A bondade objetiva das mensagens não é suficiente para deduzir a bondade da origem.

 

         Em vez de apresentar muitas citações bíblicas, prefiro repetir, martelar, esta dura condenação do Deuteronômio: “Quem interroga os mortos é abominável aos olhos de Deus” (Dt 18,2), na esperança de que fique gravada na mente. Para compreender plenamente o valor destas palavras, é necessário acreditar em Deus; acreditar que Deus é Pai, infinitamente bom, que quer o nosso bem; acreditar que todas as proibições que Deus nos exige (tal como as obrigações do Decálogo) são para o nosso bem.

 

         Deus ama todas as suas criaturas, as vivas e as mortas. Se o diálogo com os falecidos fosse útil, se fosse um bem, Deus seria o primeiro a favorecê-lo. Se o proíbe de modo tão duro é porque sabe que é um mal, que desvia o homem, afastando-o da verdade, prejudicando a fé. Para quem recebeu o dom da revelação é suficiente saber que Deus não quer, para evitar aquilo que proíbe.

A pessoa que não conhece a verdade não desobedece a Deus se praticar o espiritismo; contudo, não fica preservada de suas conseqüências nocivas.

 

2- Deus pode permitir que um morto se apresente a uma pessoa viva ou que lhe fale, ou que, de um modo ou de outro, tenha contato direto com ela. Confirmamos este pensamento através dos inúmeros exemplos da Bíblia e da vida dos santos. Trata-se de casos extraordinários, logo, muito raros. Mas, sobretudo, existe uma diferença substancial que é necessário esclarecer.

 

Em todos estes casos, o fato se dá por livre iniciativa de Deus; nunca como fruto de habilidade ou de recursos humanos. É como no caso das aparições: Bernadete nada fez para provocar a aparição da Virgem Imaculada na gruta de Massabielle, os três pastorinhos de Fátima não fizeram nada para conseguirem ter a aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria. Os fatos desenrolaram-se por pura iniciativa divina, nas circunstâncias e nos limites estabelecidos por Deus.

 

         Que meios Deus pode utilizar para conceder um contato extraordinário com um morto? Pode usar os meios que quiser, com absoluta liberdade. Pode se servir de uma aparição, como fez com São João Bosco; ou de vozes, como aconteceu com Santa Joana d’Arc; ou de sonhos, como freqüentemente se lê na Bíblia e na vida dos santos. Poderá se servir de um médium? Sim. Deus pode se servir de tudo. É o único caso que a Bíblia nos relata, quando Saul se serve de uma médium para invocar a alma do profeta Samuel. Foi um fato absolutamente extraordinário, permitido por Deus. Confirmado pelo grito da médium, que se encontra diante de um caso totalmente novo; mas, depois, veio a reprovação de Samuel e a sua dura profecia: “amanhã, tu e os teus filhos irão morrer” (cf. 1Sm 28,19).

 

3- A bondade objetiva da mensagem não justifica a sua origem, ou seja, não é suficiente para nos elucidar se a sua proveniência é boa ou má. Mais do que uma vez, fá fiz notar que Moisés, com a potência de Deus, realiza diante do Faraó os mesmos prodígios que os magos realizam com a força do diabo.

Mas, sobretudo, gostaria de ressaltar que o demônio sabe falar muito bem quando encontra Cristo na vida pública: “Sabemos quem tu és: Tu és o filho de Deus!” (Mc 3,11) e outro reconhecimentos semelhantes. É interessante verificar aquilo que acontece com São Paulo quando pregou em Filipo. Uma endemoninhada seguia-o por todos os lados e o demônio gritava: “Estes homens não são servos do Deus Altíssimo, que vos anunciam o caminho da salvação” (At 16, 17).

Digam, se não se trata de um anúncio perfeito e sagrado. E, no entanto, provinha do diabo, que quer sempre atingir os seus fins, e é por isso que tanto Jesus, como São Paulo o mandam calar.

 

 

Para não cair na mentira

 

 

         Apresento a seguir, três expressões sobre os quais convido o leitor a refletir e a colocá-los em prática.

Ouço dizer: “Mas a mensagem é tão boa e dá tanto consolo!”. Que interessa se é tão boa se, depois, se revela falsa? É conhecido o livro da moça que morreu com 22 anos de idade; mensagens de consolação para a mãe e, no prólogo, a declaração de cinco sacerdotes que afirmam: “Palavras do céu!”. Ou, então, aquela mãe que me telefonou para a Rádio Maria e disse: “O meu filho morreu tinha dezenove anos. Aquilo que mais me consola, que mais me dá força para viver, é que me ensinaram a falar com ele; e todos os dias converso com ele por meio do gravador”.

 

         É mesmo um caso para repetir, mais uma vez, as palavras de São Paulo: “Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão ás fábulas” (2Tm 4,1-4): cócegas para os ouvidos, fábulas.

 

         Pelo contrário, admiro aqueles pais que, em casos semelhantes, sabem se voltar para a fé; deste modo, aprofundam a convicção de que o filho está realmente vivo (“A vida não é tirada, mas transformada”, dizemos na introdução da Missa dos falecidos); sabem que voltarão a vê-lo; rezam por ele e recomendam-se à sua intercessão; falem com ele, sem esperar nenhuma resposta extraordinária, mas sabendo que Deus pode levar as suas palavras até ele.

 

         “Através da psicografia, conforto-me segundo as minhas aspirações e ajuda-me continuamente a rezar”. Certo, a psicografia, na maior parte da vezes, é fruto da criatividade do subconsciente. Por isso, a pessoa acredita que recebe mensagens de um morto, acredita que fala com Nossa Senhora ou com Jesus. Mas, pelo contrário, fala apenas consigo mesmo.

Os psicólogos bem sabem que podem ser criadas novas personalidades. A psicografia faz a felicidade de quem acredita na reencarnação: “Tomei conhecimento das minhas vidas passadas”. E faz a felicidade de tantos falsos videntes, que são consultados e dizem que dão as respostas do Senhor, de Nossa Senhora, do espírito-guia. Enganam os outros e, freqüentemente, enganam-se a si próprios.

 

         No dia 30 de março de 1898, foi colocada no Santo Ofício a seguinte questão: “Fulano, depois de ter excluído qualquer tipo de dialogo com o espírito maligno (ou seja, depois de ter declarado que não queria falar com o demônio), tem por hábito invocar as almas dos falecidos. Procede da seguinte maneira: fica sozinho e, sem outro preliminar, dirige uma oração ao chefe da Milícia Celeste para obter dele o poder de se comunicar com o espírito de uma determinada pessoa.

 

Fica alguns instantes à espera e, depois, de mão pronta para escrever, sente que ela recebe um impulso que dá a segurança da presença do espírito. Expõe as coisas que ele deseja saber e a sua mão escreve as respostas. Estas respostas são totalmente de acordo com a doutrina da fé católica e com doutrina da Igreja, a respeito da vida futura. Na sua maior parte, disseram sobre o estado em que se encontra a alma de um certo morto, sobre a necessidade que tem de receber sufrágios, etc. Será lícito este modo de proceder?” Resposta: “Não. O que está exposto não é permitido”.

 

À respeito do Movimento da Esperança, não me prolongarei porque o que já disse é mais do que suficiente para entender a sua total desaprovação, embora esteja se difundindo amplamente na Itália e em outros países. As ervas daninhas crescem bem depressa. Quem quiser saber mais, leia o capítulo sobre o assunto, dedicado por Armando Pavese no já citado livro Como defender-se dos magos, da Ed. Piemme. É claro e suficiente.

 

Menciona, inclusive, a atitude de desaprovação que a autoridade eclesiástica tem assumido, cada vez mais claramente, medida que aprofunda a natureza deste Movimento.

         Devo também avisar que a participação em sessões de espiritismo pode provocar não só males psíquicos, como também perturbações maléficas e a própria possessão diabólica. Várias vezes tive casos de pais que trouxeram os filhos, alguns ainda adolescentes, que depois de uma ou duas sessões de espiritismo, “feitas por brincadeira”, não conseguiam estudar, descansar, comer, tinham pesadelos e coisas do gênero. Poderia se tratar de perturbações de foro psicológico, mas, também, de malefícios que depois se confirmaram com o exorcismo.

 

         Uma senhora dizia-me que, através do gravador, tinha entrado em contato com o espírito, não muito bem identificado, que ela considerou bom, sem qualquer hesitação, uma vez que ele lhe dizia coisas boas e a ensinava a rezar. Passando alguns anos, quando esta senhora já se encontrava ligada ao espírito, este começou a dizer coisas más e a proferir blasfêmias. A interessada percebeu que tinha de colocar um ponto final na situação e assim o fez, embora com alguma pena.

 

Porém, já tinha absorvido influências maléficas, que ainda hoje estão ativas. É continuamente perturbada por vozes que não a deixam trabalhar, que não a deixam dormir. É um daqueles casos que estudo com o auxílio de um psiquiatra e de um psicólogo. Por vezes, é necessário algum tempo para identificar a causa de um mal; e muito mais para descobrir a cura, e nem sempre se chegará lá, nem com curas médicas, nem com as orações dos exorcistas.

 

         É bom que as pessoas saibam aquilo que se ganha quando se metem por determinados caminhos. E quando me dizem “Recebi mensagens tão boas... Confirmaram-me na fé... Tiraram-me do desespero...”, penso logo na parábola do rico glutão (que realmente se tornou solícito para com os seus familiares), que pede a Abraão que mande Lázaro avisar os seus irmãos.

Era evidente que viviam do mesmo modo que ele e percorriam a mesma estrada de perdição. E Abraão respondeu-lhe: “Têm Moisés e os Profetas; que os ouçam a eles”. O glutão: “Não, não lhe vão dar ouvidos. Se um dos mortos for até eles...”. E Abraão retorquiu: “Se não escutam Moisés e Profetas, mesmo que um dos mortos ressuscite, eles não ficarão convencidos” (cf. Lc 16,27-31). Quem não obedece à palavra de Deus e aos ensinamentos da Igreja não espere encontrar a verdade no espiritismo.

 

         A meu ver, a grande difusão do espiritismo depende também de uma total desinformação a respeito da sua natureza e dos riscos que comporta, para além de denunciar um vazio ao nível da fé que, como sempre acontece, se procura conviver com todo o tipo de superstições. Os remédios para enfrentar esta praga são os já sugeridos a propósito do ocultismo em geral. E não é perda de tempo repeti-los.

 

1- É necessário formação religiosa, a nova evangelização, o conhecimento das leis de Deus. Se o homem segue os próprios caprichos, inevitavelmente cai em erros que freqüentemente paga duramente também nesta vida. Quem, pelo contrário, segue as leis do Senhor está protegido do mal, ou pelo menos de muitos males que procuramos para a nossa vida.

2- É necessário informação específica. Sobretudo por parte dos sacerdotes, dos educadores, dos pais. Muitas pessoas caem em determinados erros, inclusive na participação em sessões de espiritismo, por não terem sido avisadas por quem sabia sobre aquilo que estavam fazendo, mas não sabia que ia contra a lei de Deus e que trazia perigos. É necessário ser formado para poder formar.

3- É necessário se dispor a ouvir as pessoas, para dialogar com elas e escutar os seus problemas e as soluções que tentam para resolvê-los. A caridade é a rainha das virtudes cristãs, e a caridade da verdade, ou seja, ensinar a verdade é talvez à forma mais importante e mais urgente de caridade cristã.

 

Fonte: Extraído do Livro "Exorcistas e Psiquiatras" - Pe. Gabriele Amorth - Ed. Palavra & Prece.

 

 

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