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PADRE GABRIELE  AMORTH

 

Famoso Exorcista da diocese de Roma.

 


 
O Divino Espírito Santo.

www.obradoespiritosanto.com

 

 

O que é a magia?

 

 

         É um dos principais frutos do ocultismo, dos mais difundidos, porventura, aquele que mais incidência tem sobre os povos. Falo de povos porque encontramos a magia em todos os tempos e em todas as populações.

É difícil falar sobre a magia, pois é um tema bastante extenso: podiam se encher bibliotecas inteiras com os livros que já foram escritos e este respeito. Por outro lado, não desejo repetir tudo aquilo que já escrevi sobre a magia no meu primeiro livro, Um exorcista conta, embora não possa deixar de insistir sobre um ou outro conceito fundamental.

 

 

O porquê da magia

 

         Por que razão a magia prospera tanto nos nossos dias?

Devido aos três motivos que a alimentam e que vamos recordar; porque é uma das principais formas de superstição e, jamais me cansarei de repetir, é lógico que quando se perde a fé aumenta a superstição; porque a magia, por causa dos três motivos de que falaremos, encontra-se enraizada em todos os cantos, independentemente do desenvolvimento cultural e científico, do progresso econômico dos indivíduos ou de uma ação.

As pessoas que freqüentam magos não são pessoas ingênuas, desprevenidas e analfabetas; pertencem a todas as categorias de cidadãos: profissionais liberais, grandes industriais, políticos, campeões esportivos, apaixonados desiludidos, pobres coitados. Não falta ninguém; nem sequer padres!

         Por que razão encontramos a magia em todas as épocas e em todas as culturas? O que estimula as pessoas a consultarem os magos?

Sim, claro: quando se tem fé, nas várias vicissitudes da vida, dirigimo-nos a Deus. Mas, nos casos em que a fé está ausente ou é tão frágil, que tem de dividir espaço com as superstições, que coisa atrai as pessoas a darem crédito a indivíduos, como se estes tivessem um poder misterioso sobre a natureza, sobre os acontecimentos, sobre as pessoas, mediante fórmulas, rituais e amuletos?

         Podemos reagrupar os motivos em três palavras: o medo, a curiosidade, o poder. São motivos duradouros, que não conhecem o limite.

 

 

O medo.

 

Existe o mal, existem doenças físicas e psíquicas para as quais a medicina oficial não encontra remédio, existe a falha, o azar.

No campo dos afetos, dos negócios e da saúde, pode-se passar de uma situação boa para uma situação ruim, num abrir e fechar de olhos. Podem acontecer desgraças em cadeia, dificuldades insuperáveis. Onde encontrar remédios contra o azar?

No que me respeita, nunca encontrei o azar pela rua, mas já encontrei muitas pessoas a quem a vida corre mal desde sempre, ou durante algum tempo. Quando uma pessoa sente tudo indo mal (no trabalho, na família, no campo da saúde); quando uma pessoa vê que todos os remédios aos quais recorreu foram inúteis, sente-se quase que obrigada a virar-se para os chamados meios alternativos: expressão elegante que muitas vezes esconde a estupidez.

E entre esses tais meios alternativos encontram-se precisamente os magos, que conseguem compreender onde está o mal ou o malefício (Fizeram um feitiço contra você, é um dos diagnósticos mais freqüentes), sabem explicar por que razão tudo corre mal e prometem um remédio mágico.

         Disse que as pessoas cultas também freqüentam os magos: porque quando um homem se deixa abater pelas desgraças, encontra-se num estado psicológico em que deixa de raciocinar; aceita tudo o que lhe aparece, só para se ver livre dos problemas.

É o caso do engenheiro especializado em eletrônica que é capaz de pagar uma quantia absurda, por um amuleto feito de quinquilharia, que deve trazer sempre pendurado ao pescoço; quando o vi diante do nariz, não pude deixar de lhe dizer: “Desculpe-me, mas não se sente um pouco idiota ao ter acredito em semelhante baboseira?”

É o caso também daquele rapaz loucamente apaixonado que perdeu a namorada e quer recuperá-la a todo o custo. E que, perante o conselho que lhe dão – dar três voltas ao redor de uma mesa, arrastando a língua pelo chão – não hesita em colocar em prática semelhante palhaçada.

 

 

A curiosidade.

 

Da curiosidade quase inocente (Só quero ver o que me vai dizer) à vontade de conhecer, por vias mágicas, aquilo que é obscuro: é um dos pontos fortes do ocultismo.

Na maior parte das vezes, pede-se ao mago que prediga o futuro: o que vai acontecer à própria pessoa, encontrará trabalho, encontrará marido... Outras vezes, pedem informações sobre o presente e sobre a causa dos males de que se sofre (é necessário encontrar um culpado a qualquer custo), procuram o esclarecimento de dúvidas (É verdade que a minha mulher me é infiel, ou não?), ou sobre o comportamento a ser adotado num determinado caso (Se deve participar ou não de um certo concurso, se é o caso de insistir numa determinada relação, se deve tomar ou não um certo medicamento...).

Curiosidade estimulada pelos veículos de comunicação, que apresentam espetáculos de magos a todas as horas e aguçam o apetite para consultá-los, até mesmo daqueles que nunca sentiram a necessidade de se dirigir até eles.

 

 

O poder.

 

Neste termo englobo os ganhos materiais, o sucesso, o protagonismo a qualquer preço. Portanto, a vitória sobre os rivais: concorrentes comerciais, políticos, rivais na carreira, etc.

Neste caso, entra-se no campo de querer prevalecer a todo o custo, mesmo prejudicando os outros; e é o terreno da chamada magia negra. Por vezes, as pessoas sentem-se impelidas pelo desejo de alcançar, por via mágica, resultados ou poderes que não se consegue obter por via natural: inteligência, estudo, capacidades, o amor de uma pessoa; recorre então a forças ocultas, sabe-se lá quais, que garantem o sucesso.

         As pessoas freqüentam os magos por causa de um deste três motivos; e há quem estude a magia e suas práticas com o intuito de se tornar bruxo. Em ambos os casos, existe a vontade de recorrer a forças ocultas, não bem identificadas, ou a rituais, filtros e outras coisas mais, para adquirir os conhecimentos que, de outra maneira, não conseguem obter (mesmo que depois se revelem enganadas); para dominar as forças da natureza ou dos acontecimentos, para influenciar os outros e defender-se deles.

 

         É superstição e idolatria porque se trata de uma busca de solução para os problemas completamente fora de Deus e das Suas leis, que não satisfazem ou em que não se acredita; por isso, procuram outras vias, outras leis, outras divindades que venham em auxílio da pessoa.

Toda a história sagrada ilustra bem esta alternativa, que não diz respeito apenas ao povo judeu, mas que é emblemática para toda a humanidade de todos os tempos.

Os judeus encontravam-se no meio de povos pagãos que tinham esta mentalidade: cada povo tem os seus deuses protetores, cada território tem os seus deuses. Eis, então, a contínua tentação do povo judeu: deviam acreditar no verdadeiro Deus que se revela a Abraão, a Moisés, aos profetas, e que os tinha libertado da escravidão dos egípcios, ou então, pelo contrário, deviam acreditar nos deuses dos povos, no meio dos quais habitavam e nos deuses dos lugares por onde passavam.

 

Quem merecia mais confiança, quem é que mais os protegeria, quem mais interessava seguir? E, deste modo, alternavam a fidelidade com a traição, as fugas de Deus com o regresso a Ele, num contínuo sobe e desce de decisões e promessas contraditórias.

         O mesmo se passa com o cristão dos nossos dias; o mesmo se passará com o cristão de amanhã. Salvo por Deus, da escravidão, de Satanás, por meio do Batismo, confiando aos planos de Deus sobre a vida e sobre o destino humano que bem conhece, o cristão, de qualquer maneira, sente-se continuamente tentado a seguir as idéias do mundo, os caminhos do mundo, correndo o perigo de se perder.

Também o recurso à magia é um sinal claro de que não se quer recorrer a Deus para resolver os próprios problemas, preferindo escolher caminhos que parecem mais fáceis e mais cômodos, embora sejam desvios.

         Para compreender o boom de magos no nosso tempo, acrescento, com particular insistência, o papel desempenhado pelos meios de comunicação, particularmente a televisão, que transmitem espetáculos e pessoas que são uma contínua mentira para prejuízo nos espetáculos.

 

E o Ministério da Saúde não se preocupa com a situação, embora os charlatões prometam curar todos os males (menos o cancro), “da trombose às artrites, da diabetes à dor ciática” (faço uso das palavras do professor Sílvio Garattini, diretor do Instituto Mário Negri, corajoso e solitário denunciante destes charlatões públicos).

O mesmo se passa com a magistratura que, muito ocupada durante meses e meses com a estátua de Nossa Senhora que chora, não percebe que corre o risco de ser ridícula; mas, em compensação, não diz absolutamente nada em relação a pessoas que publicam feitiços mortais, ou seja, que podem assassinar.

Nem os padres se ocupam destas situações, que neste campo são, de um modo geral, verdadeiros analfabetos. Cito apenas a seguinte afirmação, que retirei da nota pastoral do Episcopado da Campânia (região de Itália), publicada em 2 de abril de 1995: “O mau-olhado, o feitiço e o malefício são atos resultantes da ingenuidade e da fragilidade da fé”. Não! São muito mais do que isso!

         E, no entanto, a Bíblia não suporta absolutamente a magia.

 

Sabemos que também outros povos, contemporâneos dos judeus, condenavam os magos à morte. Isto quer dizer que havia uma intuição difusa de que a magia continha algo de maléfico, de diabólico e, por isso, tinha de ser eliminada.

Naturalmente que falo do tipo de magia mais negativo, aquele que a Bíblia condena cerca de trinta vezes.

 

Já o Deuteronômio afirma: “Não se ache no meio de ti quem faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, nem quem se dê à adivinhação, à astrologia, aos agouros, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo, à adivinhação ou â invocação dos mortos, porque o Senhor, teu Deus, abomina aqueles que se dão a essas praticas, e é por causa dessas abominações que o Senhor, teu Deus, expulsa diante de ti essas nações” (Dt 18,10-12).

O Levítico afirma: “Não praticareis a adivinhações nem a magia” (Lv 19,26).

E o Êxodo: “Não deixarás viver aquele que pratica a magia” (Ex 22,18).

O Levítico especifica: “O homem ou mulher que pratica a necromancia ou adivinhação é réu de morte. Será apedrejado, e o seu sangue cairá sobre ele” (Lv 20,27).

Métodos bastante enérgicos! O Catecismo da Igreja Católica, no nº 2117, se pronuncia da seguinte maneira: “Todas as práticas de magia ou de feitiçaria com as quais a pessoa pretende domesticar os poderes ocultos, para colocá-los a seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – mesmo que seja para proporcionar a este a saúde – são gravemente contrárias à virtude da religião. Essas práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas de uma intenção de prejudicar a outrem, ou quando recorrem ou não à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica freqüentemente práticas de adivinhação ou de magia. Por isso a Igreja adverte os fiéis a evitá-lo. O recurso aos assim chamados remédios tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes maléficos nem a exploração da credulidade alheia”.

 

Reprova-se o uso de amuletos (que os magos distribuem com abundância de promessas e de... proveitos!), e é claramente afirmado no nº 2116: “Todas as formas de adivinhação hão de ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras praticas que erroneamente se supõe “descobrir” o futuro. A consulta aos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e da sorte, os fenômenos de visão, o recurso a médiuns escondem uma vontade de poder sobre o tempo, sobre a história e, finalmente, sobre os homens, ao mesmo tempo que um desejo de ganhar para si os poderes ocultos. Essas práticas contradizem a honra e o respeito que, unidos ao amoroso temor, devemos exclusivamente a Deus”.

        

Não existe uma forma única de magia.

Até agora, falamos da magia em geral, que se diferencia em magia alta e magia baixa, em magia branca e magia negra, que é a mais perigosa porque recorre à intervenção do demônio e pode causar malefícios e provocar mesmo a possessão diabólica. É a magia, na sua globalidade, que a Bíblia condena.

         Mas existe também uma magia rural terapêutica: o mago do campo ou a anciã que conhecem determinadas ervas, recitam orações e não querem ser pagos por isso. Nestes casos, o perigo é nulo e não temos que nos deixar enganar pelas palavras; por exemplo, quando estas pessoas são tratadas como o mago ou a maga lá da terra.

         E existe também a magia-charlatã, aquela que é noticiada nas páginas dos jornais e nas televisões. Atualmente, este tipo de magia está bem mais difundido, razão pela qual merece uma dissertação à parte.

 

A magia-charlatã

 

         Para desmascarar esta forma de magia, difundida com todos os meios publicitários em uso, o estudioso Armando Pavesse escreveu um livro repleto de bom senso e de elementos concretos: Come difendersi daí maghi (Como defender-se dos magos), Ed. Piemme, 1994.

A meu ver, Pavesse desmascarou os truques dos magos, mais ou menos como fez Gerard Maya, ilusionista francês, no seu livro que falava sobre os Charlatões da parapsicologia. Quem se ocupa seriamente destes temas sabe o quanto é importante ter cuidado contra os truques. Numa entrevista a uma televisão alemã, fui perguntado por que existem tantos magos nos dias de hoje.

 

Espontaneamente, respondi: “Porque acreditam na Bíblia”. Ao pedido de explicações, acrescentei: “A Bíblia afirma que o número dos imbecis é infinito. Os magos também acreditam nisso”.

         Mas apresentemos algumas destas personagens, para termos uma idéia concreta. Em 1979, Davanzo e Barlotto dão início aos congressos dos magos e pensam também em criar um sindicato; em 1980, são suficientes 30.000 liras italianas (cerca de 15 euros) para obter um diploma de mago ou um diploma em alquimia, astrologia, cartomancia, ocultismo, necromancia, espiritismo.

Em 1982, um deputado democrata-cristão chamado Contu apresenta uma proposta de lei para criar a Ordem Profissional dos Consultores Operadores do Oculto. Prevaleceu o bom senso dos deputados, que nunca chegaram a discutir a proposta.

E, neste campo, o bom senso é um requisito fundamental: com facilidade, é possível desmascarar um exército inteiro de charlatões. Refiro-me, por exemplo, a um mago que acende três velas em forma de triangulo, queima um pouco de incenso, abençoa um copo de água com uma fórmula misteriosa de sua autoria e dá para qualquer um beber. Não é preciso muito para compreender que se trata de uma encenação. E, no entanto, circulam por lá quantias enormes de dinheiro...

 

         Vejamos o caso de um dos magos que, por causa das suas intervenções televisivas, é dos mais conhecidos. Trata-se de Marco Belelli, que se faz chamar o divino Otelma. Em 1987 fretou o barco de Enrico Costa para realizar o primeiro cruzeiro mágico, uma iniciativa turística; leitura das mãos, das cartas, tratamentos hipnóticos, análise de poderes.

Condenado por charlatanismo, por ter extorquido vinte milhões de liras italianas (dez mil euros) de um jovem que sofria de depressão, aceitou responder a algumas perguntas, submetendo-se ao controle da máquinas da verdade do doutor Gagliardi. Admitiu que 92% dos magos não passam de charlatões; o que fez com que lhe pagassem mais de 500.000 liras italianas (250 euros) por uma poção mágica; que o seu fluído magnético não é mais do que o resultado da sugestão.

 

         Vejamos agora Bruno Bassi, chamado o mago Bassin. Certamente que é um ótimo homem de negócios. Vende cursos de magia e cartomancia por correspondência com a respectiva venda de diplomas. Na década de oitenta, publicou um catálogo de artigos mágicos, satânicos e espirituais, que vendiam: sangue de dragão, incenso negro para feitiços de ódio e de morte, pentagrama para comandar os espíritos.

         Reparem na seguinte publicidade (certamente paga) transcrita em uma revista: “Tiziana, grande mestra de ciências ocultas, astrologia, exorcista, demonóloga, é capaz de trazer de volta, e em pouco tempo, a pessoa que você ama; também realiza ligações bissexuais, destrói para sempre feitiços sobre pessoas ou ambientes; elimina rivais ou concorrentes. Dará sucesso e riqueza para. Inscrita na ordem profissional italiana e européia”. Mas não diz que ordem é. Talvez seja a dos patetas.

 

         Há um outro que também não posso deixar de citar: Giuseppe Moreno. Debaixo da sua fotografia está escrito em letras maiúsculas: “O mago benzido pelo Papa”. Repare na ambigüidade de sua jogada. Para ser abençoado pelo Papa é suficiente ligar o rádio ou a televisão ao meio-dia (horário de Roma), todos os domingos.

Mas o texto em letras maiúsculas, embaixo da sua fotografia, parece querer dizer que o Papa abençoou não apenas as pessoas, mas também a sua atividade. E qual é a sua atividade? Cartomante, médium, rituais, exorcismos, feitiços, amores impossíveis, magia branca, magia negra. Tem uma força suprema porque fez um pacto de sangue com o seu espírito-guia. Que mais pode querer?

 

         Em Turim, no ano de 1993, realizou-se o primeiro salão de astrologia, esoterismo, artes divinatórias, etc., denominado “Mágica”: e de 71 stands de expositores, 26 estavam ocupados por operadores de artes mágicas (leitura da mão, consulta astrológica...) e 37 estavam reservados à venda de artigos de magia. Quem é que anda por lá? Por exemplo, a maga Rosanna, que se proclama docente da Universidade Católica de Milão Uni-Ter.

Também neste caso, temos um equívoco: ninguém sabe o que é esta fantasmagoria universidade, mas todas as pessoas conhecem a Universidade Católica de Milão e pensam que é a mesma coisa.

 

Também lá esteve Carina de Valenza (região de Alessandria), que afirma ser a reencarnação de Cleópatra. E também a organizadora do evento, Laura Casu, segunda a qual as religiões só têm valor enquanto os homens necessitarem delas. No que lhe diz respeito, não necessita de mestres, porque recebe mensagens de uma entidade superior, Gabriel.

         O interessante é que os protagonistas do evento têm plena consciência da trapaça que representam. O mago Gennaro Brianzi, presidente europeu dos magos, não hesita em afirmar que 98% dos magos são charlatões. Um exemplo: o pagamento depois do resultado assegurado.

 

Está comprovado, do ponto de vista estatístico, que de 50% dos casos que exigem pagamento depois de resultado assegurado, o resultado positivo se deve a causas naturais, e não a qualquer influência mágica. Por isso, o mago que concede o pagamento depois de ver resultado assegurado já sabe que perde metade dos clientes; mas a outra metade dos clientes; a outra metade regressa para lhe pagar e agradecer, pelo nada que fez.

         Um outro mérito de Pavese foi o de ter quebrado o mito do número de magos que existe, um pouco como fez Massino Intovigne a respeito de satanistas. Através de uma análise das páginas amarelas, na Itália, pode verificar que os magos que se autopublicam por esse meio são cerca de 1.300. Mesmo admitindo que existam outros tantos, mais modestos ou mais escondidos, o número não deixa de ser pouco relevante; por isso, não é correto atribuir um número ao acaso, sem qualquer ponto de referência.

 

         Há ainda a questão da magia-charlatã, fato deplorável que Armando Pavesse enfrenta com firmeza no seu livro, quando a designa como o consumismo do milagre mariano.

Infelizmente, não é novidade que se pode misturar o sagrado e o profano, a religiosidade e a magia, por puro interesse econômico. E também é desta maneira que as pessoas, depois de se sentirem enganadas, deixam de saber em quem acreditar, preferindo não acreditar em mais ninguém.

Por vezes, trata-se de medos infantis. Freqüentemente, interrogam-me a respeito dos terços do Rosário de plástico, em que algumas pessoas costumam ver sinais de malefício. Não é verdade; trata-se apenas de terços econômicos, feitos em série segundo um modelo, motivo que faz com que não se perceba bem o que representam determinadas imagens (especialmente nas extremidades do pequeno crucifixo). Mas não é preciso ter medo: não se trata de nenhuma enganação.

 

         O verdadeiro mal é quando o mago charlatão se aproveita da sua habilidade comercial e sugestiva e as mistura com elementos do sagrado.

É exemplar o caso do contabilista Bandinelli, que realiza milagres infalíveis em nome de Nossa Senhora de Medjugorje. Publica a capacidade de obter curas instantâneas de vinte e três tipos de doenças; o sistema rende tanto que já se pode dar ao luxo de pagar duas páginas inteiras da TELECON, tem 18 linhas telefônicas e 12 residências no exterior. Julgo que supera qualquer chefe de Estado.

 

O seu método de cura é simplicíssimo: olha para a estátua da Virgem, abre os braços, agita os dedos e a pessoa fica curada. Mas apressa-se a dizer que a pessoa fica curada, mesmo que ele mantenha as mãos no bolso. E o interessante é que as pessoas, em massa, acreditam nele, dado que recebe trezentas pessoas por semana (mais do que um exorcista a vida toda), mediante o singelo honorário de 25 euros, que lhe rendem 7.500 euros por semana.

         Pavese apresenta-nos também Marella Merani, que todas as segundas-feiras, numa televisão do Piemonte, mostrava uma imagem de Jesus que emanava um fluído curativo: era suficiente olhar para  a imagem pela televisão. Mas depois, naturalmente, acontecia o mais interessante: vendia água-luz e, depois de ter exposto uma Nossa Senhora da Graça, vendia uma loção para cabelos.

 

Durante uma transmissão, um espectador telefonou para dizer que aquele fluído de Jesus causava-lhe coriza, por causa da constipação. A resposta dela: “Como podem verificar, o fluído existe”. Se, depois, faz crescer os cabelos ou provoca a constipação já não é importante.

A maga Merani confessa que começou a sua atividade a partir da psicografia, sentindo-se por isso investida de um carisma particular; tanto mais que também tem um espírito-guia que lhe dita as palavras a dizer e os ritos a realizar.

Confrontada com a pergunta se tem consciência, ou não, de praticar magia, ela respondeu indignada que não. Mas, ao contrário, é mesmo um caso de magia-charlatã, que utiliza o sagrado a fim de proveito econômico.

 

         Muito conhecida na Itália é a figura de Ebe Giorgini, chamada Mamã Ebe. Na década de 70 em São Baronto (Pistóia), tinha mosteiro próprio com cerca de 38 irmãs e 17 seminaristas, hospedados na sua pequena obra: Jesus misericordioso; repare no nome sugestivo, hoje bastante comum em “obras menores”.

A pequena aldeia encheu-se de hotéis e restaurantes, exatamente junto aos santuários. Curandeira, estigmatizada, taumaturga... A Mamã Ebe tinha três iates, muitos alojamentos, casacos de pele, jóias. Em outras palavras, pode-se dizer que soube pôr a fé em Deus para render... dinheiro. Também havia dois sacerdotes ligados a ela, mas em 1994 foi condenada a dez anos de prisão.

Mas, para os seus muitos imitadores e devotos, ainda é considerada santa. De vez em quando, a magistratura vai resolvendo um ou outro caso de magia-charlatã. Gostaríamos que estes casos fossem muito mais numerosos, especialmente quando um mago faz sua própria publicidade para fazer magia negra e feitiços mortais; é sempre um engano evidente, mesmo que não tenha feito nada.

        

Magia verdadeira, magia-charlatã, consumismo do milagre mariano: talvez a impressão mais desconfortável seja o número de milhões de italianos que recorrem a estas práticas. Procuram a verdade e remédios que não provêm de Deus; não se recorre ao único Mestre e único Salvador. Motivo pelo qual, mais do que nunca, o verdadeiro remédio é a nova evangelização, ou seja, a formação religiosa e a busca sincera da verdade.

É útil invocar as palavras de São Paulo, quase o seu testamento, ao fiel Timóteo: “Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir. Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas” (2Tm 4,1-4).

 

Fonte: Extraído do Livro "Exorcistas e Psiquiatras" - Pe. Gabriele Amorth - Ed. Palavra & Prece.

 

 

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