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Papa Bento XVI.

O analfabetismo religioso que é um
dos maiores problemas do nosso hoje.

04.03.2012 - Cidade do Vaticano: Após uma semana de retiro quaresmal, sem audiências e compromissos públicos, o Papa Bento XVI deixou o Vaticano na manhã deste domingo para visitar a Paróquia São João Batista de La Salle al Torrino, na periferia sul de Roma. Trata-se de uma paróquia jovem, com cerca de 12 mil habitantes, composta por 85% de jovens casais com filhos em idade escolar. De fato, milhares de crianças acolheram calorosamente seu Bispo, que fez questão de cumprimentar pessoalmente inúmeras delas posicionadas na praça diante da igreja, onde foi celebrada a Santa Missa.

Queridos irmãos e irmãs da Paróquia de São Giovanni Battista de La Salle!

Antes de tudo, gostaria de dizer, como todo o meu coração, obrigado por esta acolhida tão cordial, calorosa. Obrigado ao bom pároco pelas suas belas palavras, obrigado por este espírito de familiaridade que encontro. Somos realmente a família e Deus e o fato que vejais no Papa também um pai, é para mim algo muito belo, que me encoraja! Mas agora devemos pensar  que também o Papa não é a última instância: a última instância é o Senhor e olhamos para o Senhor a fim de perceber – o quanto possível - algo da mensagem deste segundo domingo da Quaresma. A liturgia deste dia nos prepara seja para o mistério da Paixão - o ouvimos na primeira leitura - seja para a alegria da Ressurreição.

A primeira leitura nos refere o episódio no qual Deus coloca à prova Abraão (Gen. 22,1-18). Ele tinha um único filho, Isaac, nascido durante a velhice. Era o filho da promessa, o filho que deveria levar depois a salvação também aos povos. Mas um dia Abraão recebe de Deus a ordem de oferecê-lo em sacrifício. O patriarca ancião se encontra diante da prospectiva de um sacrifício que para ele, pai, é certamente o maior que se possa imaginar.

Todavia, não se esquiva nem mesmo um instante, e depois de ter preparado o necessário, parte junto com Isaac para o lugar estabelecido. E podemos imaginar este caminhada em direção ao monte, o que tenha acontecido no seu coração e no coração do filho. Constrói um altar, coloca a lenha e, depois de ter amarrado o rapaz, toma a faca para imolá-lo.

Abraão se confia totalmente a Deus, ao ponto de estar disposto também a sacrificar o próprio filho, e com o filho, o futuro, porque sem o filho, a promessa da terra era nada, termina no nada. E sacrificando o filho sacrifica a si mesmo, todo o seu futuro, toda a promessa. É realmente um ato de fé radical. Neste momento, ele vem impedido por uma ordem do alto: Deus não quer a morte, mas a vida, o verdadeiro sacrifício não dá morte, mas é a vida e a obediência de Abraão que se torna fonte de uma imensa benção até hoje. Deixamos isto, mas podemos meditar este mistério.

Na segunda leitura, São Paulo afirma que Deus mesmo cumpriu um sacrifício: deu-nos o seu próprio Filho, o doou sobre a cruz para vencer o pecado e a morte, para vencer o maligno e para superar toda a malícia que existe no mundo.

E esta extraordinária misericórdia de Deus suscita a admiração dos Apóstolos e uma profunda confiança na força do amor de Deus para nós; afirma, de fato, São Paulo: "Deus, que não poupou o próprio Filho, mas o entregou a todos nós, não nos dará talvez tudo  aquilo junto a ele? (Rom. 8,32). Se Deus dá si mesmo no Filho, nos dá tudo.

E Paulo insiste sobre a potência do sacrifício redentor de Cristo contra  qualquer outro poder que pode marcar a nossa vida. Ele se pergunta: "Quem moverá acusações contra aqueles que Deus escolheu? Deus é aquele que justifica! Quem nos condenará? Cristo Jesus morreu, e ainda ressuscitou, está à direita de Deus e intercedo por nós!" (v 33-34). Nós estamos no coração de Deus, esta é a nossa grande confiança. Isto cria amor e no amor caminhamos em direção a Deus. Se Deus deu o próprio Filho por todos nós, ninguém poderá acusar-nos, ninguém poderá condenar-nos, ninguém poderá separar-nos do seu imenso amor.

Exatamente o sacrifício supremo de amor sobre a cruz, que o Filho de Deus aceitou e escolheu voluntariamente, se torna fonte da nossa justificação, da nossa salvação. E pensemos que na Sagrada Escritura está sempre presente este ato do Senhor que no seu coração permanece eternamente, e este ato do seu coração nos puxa, nos une consigo.

Finalmente, o Evangelho nos fala do episódio da transfiguração (Mar 9,2-10): Jesus se manifesta na sua glória antes do sacrifício da cruz e Deus Pai o proclama seu Filho predileto, o amado e convida os discípulos a escutá-lo. Jesus sobe sobre o monte e toma consigo três apóstolos - Pedro, Tiago e João -, que estarão particularmente próximos na extrema agonia, sobre um alto monte, aquele das Oliveiras.

Há pouco o Senhor havia anunciado a sua paixão e Pedro não tinha conseguido entender porque o Senhor, o Filho de Deus, falasse de sofrimento, de rejeição, de morte, de cruz,e ainda havia se decidido diante desta prospectiva. Agora Jesus toma consigo os três discípulos para ajudá-los a compreender que o caminho para chegar à glória, o caminho do amor luminoso que vence as trevas, passa através do dom total de si mesmo, passa através o escândalo da cruz.

E o Senhor sempre de novo deve tomar consigo também nós, ao menos para começarmos a entender que este é o caminho necessário. A transfiguração é um momento antecipado de luz que ajuda também nós a olhar para a paixão de Jesus com o olhar da fé. Ela, sim é um mistério de sofrimento, mas é também a beata paixão, porque é - no núcleo - um mistério de amor extraordinário de Deus; é o êxodo definitivo que nos abre a porta em direção à liberdade e à novidade da Ressurreição, da salvação do mal. Temos necessidade no nosso caminho cotidiano, geralmente marcado também pela escuridão do mal!

Queridos irmãos e irmãs! Como eu já disse, tenho o prazer de estar em meio a vocês, hoje, para celebrar o Dia do Senhor. Saúdo cordialmente o Cardeal Vigário, o Bispo auxiliar do setor, o vosso pároco, Padre Giampolo Perugini, que agradeço, mais uma vez, pelas gentis palavras que me dirigiu em nome de todos vocês e também pelos grandes presentes que me ofereceu.

Saúdo os vigários paroquiais. E saúdo as irmãs franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria, aqui presentes há tantos anos, particularmente responsáveis pela vida desta paróquia, que encontrou pronta e generosa hospitalidade na casa delas nos primeiros três anos de vida. Estendo ainda a minha saudação aos Irmãos das Escolas Cristãs, naturalmente ligados a esta igreja paroquial que leva o nome do seu Fundador. Saúdo, além disso, todos aqueles que estão ativos no âmbito da Paróquia: me refiro aos catequistas, aos membros das Associações e dos Movimentos, como também aos diversos grupos paroquiais. Gostaria enfim de estender o meu pensamento a todos os habitantes do bairro, especialmente aos idosos, aos doentes, às pessoas solitárias e em dificuldade.

Vindo hoje para o meio de vocês, notei a particular posição desta Igreja, colocada no ponto mais alto do bairro, e dotada de uma torre forte, quase um dedo em direção ao céu. Me parece seja uma indicação importante: como os três apóstolos do Evangelho,também nós temos necessidade de subir sobre o monte da transfiguração para receber a luz de Deus, para que a sua face ilumine a nossa face.

E é na oração pessoal e comunitária que nós nos encontramos com o Senhor, não como uma idéia, ou como uma proposta moral, mas com uma Pessoa que quer entrar em relação conosco, que quer ser amigo e quer renovar a nossa vida para torná-la como a sua. E este encontro não é somente um fato pessoal, esta vossa igreja colocada no ponto mais alto do bairro vos recorda que o Evangelho deve ser comunicado, anunciado a todos.

Não esperamos que outros venham trazer mensagens diferentes, que não conduzem à verdadeira vida, sejais vós mesmos missionários de Cristo aos irmãos lá onde vocês vivem, trabalham, estudam ou somente transcorrem o tempo livre. Conheço as tantas e significativas obras de evangelização na quais atuais, em particular através do oratório chamado "Estrela polar", - estou feliz em poder levar esta camisa do oratório -  onde, graças ao voluntariado de pessoas competentes e generosas e com o envolvimento das famílias, se favorece a agregação dos adolescentes através a atividade esportiva, sem diminuir a formação cultural, através da arte e da musica, e sobretudo se educa ao relacionamento com Deus, aos valores cristãos e a uma sempre mais consciente participação à celebração eucarística dominical.

Alegro-me que o sentido de pertença à comunidade paroquial  esteja sempre mais maturado e consolidado no curso dos anos. A fé é vivida junto e a paróquia é um lugar no qual se aprende a viver a própria fé no "nós" da Igreja. E desejo encorajar-vos para que cresça também a corresponsabilidade pastoral, em uma prospectiva de autêntica comunhão entre todas as realidades presentes, que são chamadas a caminhar junto, a viver a complementaridade na diversidade, a testemunhar o "nós" da Igreja, da família de Deus.

Conheço o compromisso de colocar na preparação dos adolescentes e jovens os Sacramentos da vida cristã. O próximo Ano da fé seja uma ocasião propícia também para esta paróquia para fazer crescer e consolidar  a experiência da catequese sobre grandes verdades da fé cristã, de modo a permitir a todo o bairro de conhecer e aprofundar o Credo da Igreja, e superar aquele analfabetismo religioso que é um dos maiores problemas do nosso hoje.

Caros amigos!  A vossa é uma comunidade jovem - se vê -  constituída de famílias jovens, e são tantos, graças a Deus, as crianças e os adolescentes que a povoam. A este propósito, gostaria de recordar o papel da família e de toda a comunidade cristã de educar à fé, ajudados pelo tema do ano pastoral, das orientações pastorais propostas pela Conferência Episcopal Italiana e sem esquecer o profundo e sempre atual ensinamento de São Giovanni Batista de La Salle.

Em particular, caras famílias, vós sois o ambiente de vida no qual se movem os primeiros passos da fé; sejais comunidades na quais se aprende a conhecer e amar sempre mais o Senhor, comunidades na quais se enriquece reciprocamente para viver uma fé verdadeiramente adulta.

Gostaria, enfim, de destacar a importância e a centralidade da Eucaristia na vida pessoal e comunitária. A santa missa seja o centro do vosso domingo, para que seja redescoberto e vivido como dia de Deus e da comunidade, dia no qual louvar e celebrar Aquele que morreu e ressuscitou pela vossa salvação, dia no qual viver junto na alegria de uma comunidade aberta e pronta para acolher cada pessoa solitária ou em dificuldade.

Reunidos ao redor da Eucaristia, de fato, advertimos mais facilmente como a missa de cada comunidade cristã seja aquela de levar a mensagem do amor de Deus a todos os homens. Eis porque é importante que a Eucaristia seja sempre o coração da vida dos fiéis, como o é ainda hoje.

Queridos irmãos e irmãs! Do Tabor, o monte da transfiguração, o itinerário quaresmal nos conduz até o Gólgota, monte do supremo sacrifício de amor do único Sacerdote da nova e eterna aliança. Neste sacrifício acontece a grande força de transformação do homem e da história. Assumindo sobre si toda consequência do mal e do pecado, Jesus ressuscitou no terceiro dia como vencedor da morte e do Maligno.

A Quaresma nos prepara para participar pessoalmente deste grande mistério de fé, que celebraremos no Tríduo da paixão,morte e ressurreição de Cristo. À Virgem Maria confiamos o nosso caminho quaresmal, como aquele de toda a Igreja. Ela, que seguiu o seu Filho Jesus até a Cruz, nos ajude a sermos discípulos fiéis de Cristo, cristãos maduros, para poder participar juntos com Ela da plenitude da alegria pascal. Amém!

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

 

 

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