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IMITAÇÃO DE CRISTO.

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 Apresentamos a nossos irmãos mais uma inspiração e outra misericordiosa Locução interior de Nosso Senhor JESUS CRISTO ao Frey Tomás de Kempis, no longínquo ano de 1470, na Alemanha.

 

Do desprezo de toda criatura,

para que se possa achar o Criador

 

A alma fiel:

 

“Senhor, muita graça ainda me é necessária para chegar a tal ponto, que nenhum homem nem criatura alguma me possa estorvar. Pois, enquanto alguma coisa me detém, não posso livremente voar para Vós. Aspirava a esta liberdade o profeta, quando dizia: Quem me dera asas como as da pomba, para poder voar e descansar! (Sl 54,7).

 

Que há de mais sereno que o olhar singelo? E quem é mais livre que o homem sem desejo terrestre?

Por isso importa que te eleves acima de todas as criaturas, e renuncies totalmente a ti mesmo, e naquele arroubo da alma perseveres e compreendas que o CRIADOR de todas as coisas não tem semelhança com as criaturas. E quem não estiver desprendido das criaturas, não poderá livremente atender às coisas divinas. Por isso se encontram tão poucos contemplativos, porque raros são os que sabem desapegar-se de todo das coisas perecedoras. Para isso é mister graça poderosa, que levante a alma e a arrebate acima de si mesma.

 

Enquanto o homem não for elevado em espírito, livre de todas as criaturas e todo unido a Deus, pouco vale o quanto sabe e o quanto possui. Imperfeito permanecerá por muito tempo e preso à terra quem algo estimar que não seja o único, imenso e terno BEM. Porque tudo que não é Deus é nulo, e deve ser tido em conta de nada.

 

Há grande diferença entre a sabedoria de um homem iluminado e devoto e a ciência de um letrado e estudioso. Muito mais nobre é a doutrina que vem do Céus, por inspiração divina, do que aquilo que o engenho humano adquire à custa de muito esforço. Muitos há que desejam a vida contemplativa, mas não tratam de exercitar-se nas coisas que ela exige. O grande obstáculo é que se detêm nos sinais e coisas sensíveis, cuidando pouco da perfeita mortificação.

 

Não sei o que é, nem que espírito nos move, nem que pretendemos nós que passamos por homens espirituais quando empregamos tanto trabalho e cuidado nas coisas vis e transitórias, ao passo que raras vezes nos recolhemos plenamente a considerar nosso interior.

 

Grande tristeza! Apenas nos recolhemos algum tempo e logo nos apressamos em sair para as distrações exteriores, sem submeter as nossas obras a um exame rigoroso. Não reparamos para onde se inclinam nossos afetos, nem deploramos quão defeituoso é tudo em nós. Por estar corrompida toda a carne (Gn 6,12), veio o grande dilúvio. Estando, pois, corrompido o nosso afeto interior, forçosamente se há de corromper a ação que dele se segue, patenteando bem a fraqueza interior. Só do coração puro procede o fruto da boa vida.

 

Muitos indagam quanto realizou uma pessoa, mas de quanta virtude foi animada nem tanto se preocupam. Com diligência investigam se alguém é forte, rico, formoso, hábil, bom escritor, bom cantor, bom artista; mas quão pobre seja de espírito, quão paciente e manso, quão piedoso e espiritual, disso não se faz caso. A natureza só considera o exterior do homem, mas a graça olha o interior; aquela muitas vezes se engana, esta espera em Deus, para não ser iludida”.

 

“Quem quiser conservara sua vida a perderá; e quem, por amor a MIM, perder sua vida, a reencontrará” (Mt. 10,39)

 

 

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