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EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS

PARA CRIANÇAS.

Educação espiritual infantil do Fr. Manuel Sancho.

Biografia do autor.

 

Quem é que não ouviu falar do Padre Sancho? Figura sobejamente conhecida no mundo das letras não menos do que no mundo das almas. Espírito infantil pelo seu caráter verdadeiramente de criança, esse espírito acha-se impresso em todos os seus escritos. Estilo fácil, ameno, cintilante o seu, muito pessoal, revela a sua alma grande de apóstolo da pena.

 

Nasceu em Castellote (Teruel, Espanha), a 19 de Janeiro de 1874.

 

Seus pais, ricos em virtude mais do que em bens de fortuna, deram-lhe, pródigos, a caudal de sua piedade singela e prática. Vendo despontar nele grandes dotes de vir­tude, entregaram ao Senhor tão preciosa prenda.

 

No Baixo Aragão ergue-se o afamado convento do Olivar. A ordem da Mercê, a que ele pertence, tem-no em grande estima, assim pela sua antiguidade como pelas suas muitas recordações. Agradável soledade aquela, que eleva a alma às coisas celestiais.

 

Com razão costumava ele repetir nos seus últimos anos: “Vivendo aqui, está-se perto do céu”.

 

Às portas do antigo Mosteiro veio a bater o honrado oleiro conduzindo pela mão “Sanchinho” quando este contava apenas onze anos. Ali ficou este pelo ano de 1885, sendo seu mestre o P. José Ferrada, e logo se manifestou o talento extraordinário do postulante. Com tão hábil mestre, ele fez rápidos progressos, sobretudo na ciência dos Santos. A caridade e a humildade, suas virtudes favoritas, juntamente com a obediência, formaram os sólidos fundamentos da sua santidade futura.

 

Cursou brilhantemente os seus estudos, alternando-os com a composição dos seus primeiros escritos. Nestes já se revela excelente escritor. A sua inspiração musical despertava-se igualmente, plasmando-a ele nas suas zarzuelas.

 

Uma vez sacerdote, foi destinado ao Colégio de Lérida. Dedicou-se com grande proveito à formação da juventude. Aqui começou a manifestar-se guia perito de espíritos. Nomeado por vários triênios Definidor Provincial, foi transferido para Barcelona, onde se entregou de todo à direção das almas.

 

Não deixou de lado as suas afeições literárias. A sua obra “Contos e fantasias” deu-o a conhecer como um dos estilistas mais amenos e atilados. Foi aumentando a sua galeria de obras teatrais, e estas tiveram grande aceitação nos teatros católicos. Publicou um Catecismo em exemplos, em três volumes, e revelou-se hábil Diretor da infância na sua obra “Exercícios Espirituais para crianças”. Temos a grande satisfação de poder-vos oferecer novamente esta obra, notavelmente aumentada pelo próprio autor. O P. Arintero, comentando este livro, admira-se, e diz que “acredita o P. Sancho como um apóstolo e habilíssimo diretor da infância, o qual com facilidade prodigiosa a conduz pela via purgativa, e, introduzindo-a na via iluminativa, a dispõe para a via unitiva”.

 

Impossível, em tão breve resenha, classificar a sua enorme produção literária. Grande pena é que hajam perecido entre as chamas da revolução obras suas inéditas de incalculável valor literário. Entre elas, doze manuais de missões...

 

Nós, que com ele convivemos nos seus úl­timos anos, pudemos verificar os seus progressos extraordinários nos caminhos da san­tidade. As suas palavras inflamadas iam sem­pre acompanhadas da sua vida verdadeiramente exemplar. Ir evangelizar infiéis era o seu anelo mais vivo. Essas ânsias missio­nárias ele sabia comunicá-las em todas as suas conversas. Salvar almas!

 

Nestas nobilíssimas preocupações surpreendeu-o o dia 18 de Julho de 1936. Desejos de martírio enchiam-lhe a alma. Eu mesmo, numa das suas conversas íntimas, ouvi-o dizer, ao comentar a morte do Padre Pro no México:

 

“Graça tão grande peço-a ao Senhor todos os dias na Santa Missa; essa é a morte dos meus desejos, morrer fuzilado por amor de Cristo”. Deus atendeu aos seus desejos. As milícias vermelhas já inundavam todo o Baixo Aragão como uma onda infernal de sangue e de fogo. Àquele retiro chegaram também os violentos abalos do vendaval. A última expedição já estava disposta para se pôr a salvo. Mas já era tarde. Entre eles, o P. Comendador e o P. Sancho. Custava-lhes tanto arrancar-se daquele lugar! Os milicianos surpreendem-nos, eles confessam o seu caráter sacerdotal, e... uma descarga de fuzilaria abre-lhes o caminho do triunfo, enquanto seus corpos caem a prumo. Ao mesmo tempo o grito martirial de “Viva Cristo-Rei!” sobe-lhes vibrante dos feridos peitos, enchendo os espaços.

 

Advertência. — Estes Exercícios estão feitos para uma semana, dois pela manhã e outros dois à tarde. Se o turno de Exercícios abrange menos de uma semana, escolham-se as explicações que pareçam mais importantes, e que, para a criança, serão sem dúvida as mais práticas.

 

 

 

 

EXORTAÇÃO PREPARATÓRIA

 

1. Necessidade e importância dos Exercícios.

2. Jesus nos chama. Como a criança responderá ao chamado de Jesus.

3. O que quer dizer "dias de retiro”, e como os praticará a criança.

4. Exemplo.

 

1. — Um menino tinha de ir morar numa cidade e não sabia o caminho. Já lho estavam ensinando, mas ele ouvia distraído e respondia: “Irei de qualquer modo”. O caminho era difícil e escabroso, com veredas e atalhos que levavam a despenhadeiros. Ademais, nos matagais que beiravam o caminho havia cada lobo e cada raposa! Era horrível aquele caminho. Mas, com os bons conselhos que ao pequeno davam os que lhe queriam bem, ele teria evitado dificuldades, atravessando barrancos, saindo incólume de lobos e de perigos, e teria finalmente chegado à cidade onde o esperavam seus boníssimos pais. Mas qual! o pequeno estava distraído nos seus brinquedos e não atendia a razões... Assim, às cegas, empreendeu o caminho, e os lobos o comeram.
 

Trago-vos esta parábola, meus filhos, porque isto, nem mais nem menos, é o que agora acontece com a exortação que vos dirijo. Estais fazendo uma viagem, a viagem para a eternidade. No fim está o céu... Mas ai! que também pode estar o inferno! E eis-me aqui diante de vós disposto a assinalar-vos os perigos deste caminho da vida, e como haveis de fugir deles, seguindo sempre pela senda direita, até topardes com a porta do céu que a morte vos abrirá de par em par.

 

Estes dias de Exercícios são para isto: para que conheçais esta senda e fujais dos abismos que a beiram, e dos lobos que dentro dos matagais vos espreitam de olhos acesos... Esses lobos são os pecados; o reto caminho é a virtude. Cristo caminha na frente, servindo-vos de guia, e dá-se a vós em forma de pão, para que o comais e recupereis forças para continuar caminhando até o fim... Oh! que bela ocupação a vossa nestes dias de Exercícios! Aprender o caminho do céu, resolver-vos a caminhar por ele, transformando vossa vida frívola numa vida bem santinha, comungando muito desde agora e espantando os lobos do caminho, que é espantar os pecados pela confissão! Oh! como é importante tudo isto, meus filhinhos!

 

Muitas práticas e sermões já tereis ouvido; já vos terão falado de Santo Antônio, de S. Pedro, de S. Raimundo, de S. Macário, de muitos outros santos; dos dias festivos, da blasfêmia; de coisas elevadas talvez, tão elevadas que as perdíeis de vista e vos distraíeis, ou então dormíeis ante a monótona toada, ou mesmo brincáveis uns com os outros ... Isto é mau, está claro; mas quem é capaz de deter a vossa imaginação, ou de chamar a vossa atenção para coisas que vos parecem pesadas e na realidade não o são? Isto que vos vou dizer não serão práticas altas e difíceis, próprias para gente mais atenta e de mais peso; serão exemplos e comparações do caminho do céu e de Jesus tão bom, e dos lobos dos pecados que querem tragar-vos, e de coisas muito boas e muito bonitas... e, sobretudo, importantíssimas. Olhai se não são importantes já que, se as considerardes e praticardes, vos salvareis e entrareis no céu de roldão, e, se não as praticardes, caireis sem remédio no inferno.

 

2. — Além disto, pensai em que não sou eu, porém Jesus Cristo, quem vos chama a dedicardes estes dias de Exercícios a pensar nas vossas almas, limpando-as por meio de uma boa confissão, dando-lhes alimento por meio de uma comunhão santa, e começando a trilhar o reto caminho da salvação.

 

Imaginai o Menino Jesus que vai por um caminho, subindo, subindo até o céu. Já vistes essas estampas que representam o caminho do céu? É um caminho muito íngreme, sempre para cima, penoso, sempre. Por ele sobem meninos e meninas: sois vós; anjos os acompanham: são os vossos anjos da guarda. No cume há uma cruz rodeada de um nimbo de resplendores. Por cima, o céu belíssimo. Pois bem: como esse, é o vosso caminho. Jesus Menino caminha adiante de vós, e é Jesus, pois sou seu ministro, quem me envia para que vos diga em Seu nome: “Vinde, meus filhos, vinde a mim nestes dias de Exercícios. Pensai o mais possível em mim; não vos distraiais borboleteando pelas coisas impertinentes da terra; fazei uma boa confissão e comunhão, e começai a viver santamente”. Como vedes, é Jesus quem me encarrega de vos dizer estas coisas. Ficai, pois, atentos.

 

Já sei que estais dizendo nos vossos corações: “Sim, Padre, sim, nestes dias vamos ficar quietos e pensar, como o sr. nos diz, nessas coisas espirituais. Ai! quanto custa! Mas havemos de fazê-lo, sim, havemos de fazê-lo. Vamos refletir uns momentos e muitos momentos nestas coisas boas que o sr. nos vai dizer, examinando as nossas consciências e tomando resoluções eficazes”. Louvado seja Deus! Se puserdes em prática estes pensamentos, ides fazer excelentes Exercícios.

 

3. — Que quer dizer dias de Exercícios Espirituais?

 

Havia uma vez uma menina que estava passeando por um jardim bonito, onde se criavam em gaiolas douradas mil espécies de pintados passarinhos. Todos eram dela e o jardim também, com tudo o que dentro dele se encerrava: peixes de cores e cisnes nos tanques; montanhas russas, pistas para patinar, mesas de pingue-pongue, engenhosos balanços de bonecas, chalezinhos maravilhosos cercados de arvoredo entremeados de rosais... Tudo, tudo era dela. Mas a menina passeava indiferente pelo meio daquelas riquezas, sozinha, séria, com um livro na mão, suspirando e olhando para o céu. De vez em quando puxava um lápis e apontava num caderninho: “Farei uma boa confissão, obedecerei a meus pais; estudarei, e não responderei quando me corrigirem. Amarei muito a Jesus e a Maria; comungarei todos os dias, e desde já começo a ser santa”. Como? dir-me-eis, como é possível que no meio de tão agradáveis distrações a menina pensasse em coisas tão sérias? Sim, meus filhos, pensava em coisas tão sérias porque estava fazendo Exercícios. Vejo que não estais muito convencidos com esta razão, e que, se vos encontrásseis num jardim semelhante, por mais Exercícios que fizésseis, vós os meninos vos iríeis ao jogo de pingue-pongue, e vós as meninas iríeis balançar vossas bonecas. Todavia, se fizésseis os Exercícios como eles devem ser feitos, como os fazia aquela menina, não vos distrairíeis com essas puerilidades. Mas então, como era que a menina fazia os Exercícios? Ao ver-se no meio de tanta distração, essa menina dizia consigo: “Tudo isto há de passar; tudo isto há de morrer. Eu também hei de morrer. E para onde irei? Para o céu ou para o inferno? Se for boa, irei para o céu; se for má, irei para o inferno. Mas quero ir para o céu; pois então serei santa” E puxava o livrinho e apontava: “Serei santa”. E como serei santa? Imitando a Jesus, que a tal ponto me amou que morreu por mim. E puxava o crucifixo e dava-lhe um beijo. E anotava no livrinho: “Amarei a Jesus e imitá-lO-ei nas suas virtudes”. Para isso, dizia ela, hei de começar por fazer uma boa confissão. E pensava nos seus pecados para os confessar bem e para mudar completamente aquela vida tola em outra santa. E rogava e pensava, e tornava a rogar e a pensar e a prometer...

 

Como era sábia essa menina! E como fazia bem os Exercícios! Assim fareis também vós. Embora passeis pelo meio das pessoas, embora tenhais que caminhar estes dias pelo jardim enganoso do mundo, embora vejais outros pequenos e pequenas brincarem, vós pensareis dentro de vós mesmos: “Não; não queremos brinquedos nem distrações. Nestes dias havemos de fazer uns Exercícios bem feitos, pensando em salvar nossas almas, em preparar-nos para nos confessarmos bem, e comungar com muita devoção, e empreender uma santa vida, como fazia aquela menina do jardim”. E, se quiserdes fazer como fazia a menina sábia, podeis anotar isso num caderninho.. . Mas estou receando que, em vez de anotardes coisas de santidade, pinteis algum cachorrinho chinês com coleira... Melhor será que deixeis o caderninho para a menina sábia, ou para algum menino ou menina séria que pense como ela. O principal é que me presteis atenção, que não deixeis de vir ao exercício nenhum dia, e que das exortações tireis grandes desejos de vos fazerdes santos. Como! Acaso vos parece que não podeis fazer-vos santos desde já? Ouvi um exemplo.

 

4. — Havia, num pequeno povoado da Catalunha chamado Portell, um menino, assim da vossa idade, que se chamava Raimundo. Por ter sido milagroso o seu nascimento, davam-lhe o sobrenome de Nonato, isto é, não nascido, e foi admirável a vida dele já desde pequenino. Sabeis por quê? Porque ele fazia muito bem os Exercícios Espirituais, visto meditar e ruminar profundamente as verdades que nestes dias vos vou propor. Seu pai o pôs como pastorzinho de gado, e o menino, obediente e submisso, filho de boa família como era, obedecia e se calava, e, atrás do seu rebanho, por silvedos e brenhas, meditava nos benefícios divinos e no amor de Jesus e de sua Santa Mãe. E cresceu tanto no amor deles, que mereceu que a Virgem lhe aparecesse com o Menino Jesus nos braços, e ambos trataram o pastorzinho com familiaridade requintada, como quem diz de tu a tu. Que vos parece? Vamos a ver se um de vós, pensando nestes dias em Jesus e em Maria, e fazendo propósitos de santidade, merece favor semelhante, e se sucede que, embora Jesus e Maria não vos apareçam em forma material, ao menos sintais a presença deles interiormente e converseis familiarmente com eles, tratando-os de tu a tu, como a vossos pais e irmãozinhos.

 

Depois, o santo menino Raimundo Nonato foi crescendo em santidade, e, alguns dias, enquanto ele estava entretido em doces co­lóquios com Jesus e Maria, um anjo guarda­va o rebanho para ele.

 

Não quero contar-vos mais sobre esse prodigioso menino. Só vos direi que mais tar­de ele se fez religioso da Mercê, acudindo ao convite da Virgem Maria, que o queria para Seu filho. Redimindo cativos e derra­mando caridade pelo mundo, ele morreu santamente, merecendo, ao morrer, que Jesus Cristo lhe aparecesse, administrando-lhe por suas próprias mãos o santo viático. Sabeis os milagres que S. Raimundo Nonato faz a cada momento, e o santo que ele é, tão grande que, por mais que eu vos diga sobre ele, sempre ficarei aquém. Pois bem, toda essa santidade estava fundamentada naquela vida de oração que ele levava desde criança. Por que então vós outros, nestes dias, não orais e pensais em coisas santas como fazia esse santo? Leio em vossos rostinhos que sim, que o fareis, e que não ficarão frustrados os meus desejos. Pedi-o à Virgem Maria, nossa piedosa Mãe; pedi-o tomando por intercessor esse santo menino Raimundo Nonato, e, com estas orações e ótimos desejos, não duvido que fareis uns bons Exercícios.

 

Para que o vento não carregue os vossos propósitos de fazer bem estes dias de Exercícios, recorrei à Virgem Maria, nossa piedosa Mãe. Tomemo-la por intercessora junto a Seu Filho, para que façais uns bons Exercícios. Quero que em todos os atos destes dias vos lembreis d’Ela, como a criança se lembra sempre de sua Mãe, e que nas mãos d’Ela ponhais os vossos propósitos e orações, pois, pondo-os assim ao cuidado de tão bom Mãe, sem dúvida saireis dos Exercícios fervorosos e com desejos de santidade. Dizei-lhe comigo: “Minha Mãe, nas vossas mãos pomos estes Exercícios: fazei que eles sejam frutuosos, e supri, ó Mãe, as nossas distrações e deficiências”.

 

Recorrei também, com o mesmo fim, ao bom S. José, pois ele tem muito prestígio no céu e consegue tudo quanto quer.

 

Para terminar, animados de tão louváveis intenções, rezai comigo à Virgem três Ave-Marias. 

 

                    > Continua na próxima.

 

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