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JESUS CRISTO REI.

 

2º Domingo do Advento

 

www.obradoespiritosanto.com

 

 

Pensamentos sobre os Evangelhos

e sobre as festas do Senhor e dos Santos.

 

Pe. João Colombo.

Imprimatur: Mons. J. Lafayette

 

Escrito entre 1927-1938.

Primeira edição em 1939.

 

 

I - O PRECURSOR

 

São Mateus. 11, 2-10.

 

Estamos próximos do Santo Natal. E, por três domingos consecutivos – hoje, o vindouro e mais o outro – a Igreja, no Evangelho, envia-nos S. João para nos dizer: “Preparai os corações, pois o Senhor está para vir”.

 

Mas quem é esse S. João Batista que vem censurar-nos pelos nossos pecados, e persuadir-nos a fazer maior bem? Seria útil conhecê-lo um pouco. Escutai o trecho evangélico deste segundo Domingo do Advento, e da própria boca de Cristo conhecereis quem é o Precursor.

 

Estamos nas prisões de Maqueronte, e nelas João está recluso. Todos sabem por quê. E, até lá dentro, naquele lugar de martírio e de injustiça, chega a fama dos milagres realizados por Jesus. O Precursor, cuja alma impetuosa ardia do desejo de fazer conhecer ao mundo inteiro o verdadeiro Messias, enviou-lhe dois discípulos com esta mensagem: “És tu o Salvador, ou devemos esperar outro?”

 

João bem sabia que era ELE; mas, ante aquela pergunta, Jesus seria forçado a manifestar-se, e então também toda gente o reconheceria e o aclamaria.

O Divino Mestre acolheu com benevolência aquela mensagem, porque entreviu o amor com que a enviava, e mal os dois discípulos do Batista regressaram, Ele voltou-se para a multidão e disse:

 

“Quem fostes ver no deserto? Acaso uma cana agitada pelo vento?

“Quem, pois, fostes ver? Acaso um homem vestido na moda? Não; esta gente não se acha no deserto, e sim no palácio dos reis.

“Então, quem fostes ver? Acaso um profeta? Sim, digo-vos; um profeta e mais do que um profeta. Ele é o Anjo, predito por Malaquias, o qual caminhará adiante do Senhor”.

 

Poucas palavras, mas esculturais: ressalta delas, de um golpe, a grande figura de João Batista.

 

Por dentro, sem fraqueza: ele não é um caniço.

Por fora, sem molezas: não se vestia com luxo.

Por dentro e por fora, sem mancha de pecado: um anjo.

 

1- Não foi um caniço.

 

“Que fostes ver no deserto? Acaso um caniço agitado pelo vento?”

Aquela multidão que acorrera para escutar João devia conhecer muito bem essa planta, símbolo de fraqueza e de volubilidade. Devia tê-la visto, nas margens palustres do Jordão, tremer no ar, e curvar-se até à terra ao vento: se o vento soprava do Mar Morto, o caniço curvava-se para o mar de Genesaré; porém, mal o vento, mudando de direção, soprava do mar de Genesaré, o caniço curvava-se para o Mar Morto.

 

Era, pois, João por acaso, uma cana agitada pelo vento? Não; era um carvalho que não se curva a nenhum vento. Não como nós, que pela manhã fazemos um propósito e à noite o achamos transgredido; não como nós que, mesmo se nos confessamos cem vezes, cem vezes somos os mesmos de antes; não como nós, que somos caniços que se dobram a todo vento de tentação.

 

Um jovem monge era muito tentado. Uma vez, em que já não podia mais, correu a ter com Santo Isidoro, lançou-se por terra diante dele, e soluçava:

“Padre, por que não me ajudais?”

O santo soergueu aquela alma transtornada pelo vendaval, e, tomando-a consigo, disse: “Queres que eu te ensine a resistir?”

O jovem levantou os olhos cheios de lágrimas: “Foi para isto que eu vim”.

“Então eis o remédio; oração e mortificação”. O monge obedeceu, e todos os dias rezava e se mortificava: mas as tentações não cessavam. Então ele voltou a Santo Isidoro, e novamente lhe pediu remédio.

“Como! Caíste em pecado?”

“Não, graças a Deus”.

“Que queres então?”

“Quereria ficar sem tentações”.

 

Experiente da vida, o velho santo sorriu, e respondeu-lhe: “Vê: eu tenho setenta anos, e nem sequer um dia pude descansar; porém nunca me dobrei ao demônio, como um caniço, porque tenho rezado e me tenho mortificado. Vai, e faze o mesmo”.

Este episódio explica-nos bem duas coisas: explica-nos por que razão S. João Batista nunca cedeu a qualquer tentação, explica-nos por que razão, ao contrário, nós cedemos tão amiúde.

 

Próximo a todo homem há um demônio, inimigo de Deus e de nós, e o dia inteiro ele suscita pensamentos de ódio, desejos de coisas alheias, imaginações impuras. Há, pois, na vida momentos em que a tentação é tão forte que quase nos faz desesperar. São aqueles maus momentos que S. Francisco também experimentou quando, no inverno, se lançou na neve; são aqueles maus momentos que S. Bento também experimentou quando se lançou em cheio nos espinhos; são aqueles maus momentos que também experimentou Santa Catarina, quando exclamava: - Ó Senhor, mas onde estás? – são aqueles maus momentos em que o vento da tentação procura quebrar-nos como um caniço. Pois bem, recordemo-lo: sem oração e sem mortificação, é impossível resistir.

 

 

2- Não foi um efeminado.

 

“Que fostes ver no deserto? Acaso um homem luxuosamente vestido?”

O Precursor vivia na solidão havia muitos anos, sozinho, sem casa, sem tenda, sem servos, sem nada afora aquilo que vestia. E vestia uma pele de camelo, cingida ao flanco por um cinturão de couro. Aparecia alto, ossudo, queimado do sol.

A figura austera do Batista, e o louvor que Jesus fez do seu vestir, é uma forte censura para não poucos cristãos e cristãs que alimentam a vaidade do vestir: querem-no de luxo, moderno, escandaloso. Em tais trajes ousam até transpor o limiar da igreja, pôr-se diante dos puríssimos mármores do altar, diante do Crucificado nu e sangrento na cruz, diante de Jesus que vive na miséria dos nossos sacrários.

 

O que causa mais dor é ver como até as crianças, inocentes e ignaras do mal, pelos próprios pais já são vestidas pouco cristãmente. Esses pequenos que Jesus amava, que queria estreitados ao seu coração, crescem assim, mui depressa, na escola do mau exemplo. Ó mães que vos comprazeis em profanar a inocência de vossos filhos, sabei que o Senhor não pode abraçá-los desse modo; e, sem o abraço de Jesus, que há de ser de vossos filhos?

 

Bem sei as desculpas com que alguns procuram justificar-se, porém elas não podem ser acolhidas como boas.

 

a) Dizem eles: mas é a moda, é a moda que usa assim; nós vivemos no mundo, e temos de nos adaptar a ele.

 

Mostrarei a tolice desta desculpa com um exemplo: Dionísio de Siracusa era curto de vista e caminhava cambaleando, e não raras vezes sucedia-lhe topar em alguma coisa, derrubar mesinhas e quebrar vasos.

Parecia incrível, contudo, naquela corte, para agradar ao tirano, todos os cortesãos apertavam as pálpebras fazendo de ceguetas, e andavam tenteando, investindo contra cadeiras e mesas, e às vezes rolando pelas escadas. (O fato é narrado por Plutarco).

O mundo não só é um tirano de vista curta, mas é cego de ambos os olhos; e os que seguem a sua moda são mais cegos e mais estúpidos do que ele, e uma vez ou outra acabam rolando pelas escadas para ir ter no inferno.

 

b) Mas eu nunca tive intenção má seguindo as modas.

 

Desculpa por demais ingênua para ser válida.

Não quero discuti-la: lembrai-vos porém, de que, se não tendes idéias más, as fazeis vir aos outros.

Há na História Sagrada uma frase expressiva.

 

Um rei terrível, com cento e vinte mil infantes e vinte dois mil cavalos, sitiou a cidade de Betúlia: fez mesmo desviar o único rio que lhe dava água, e atormentou-a com a sede. Chorando lágrimas desesperadas, os sitiados prostravam-se na terra nua, invocando socorro do Céu.

 

Então surgiu uma viúva; vestiu os vestidos preciosos de quando era esposa feliz, ornou-se com colares de ouro e com jóias, e depois, sozinha, transpôs a porta e saiu da cidade sitiada, rumo ao inimigo em armas. Viram-na os soldados e conduziram-na ao general Holofernes. Viu-a, contudo, Holofernes e não a matou, porque sandália ejus rapuerunt eum. Bastaram duas sandálias para fazerem perder a cabeça aquele terrível guerreiro; e ele perdeu-a deveras, porquanto, naquela noite, cortou-lha Judite. (Judit. 10).

Mas de quantas outras pessoas, caídas em baixo, poder-se-ia repetir; dandalia ejus rapuerunt eum. (Judit. 16,11).

 

c) Então – dirão alguns – devemos realmente vestir-nos com pele de camelo, à moda de S. João?

Não é isto o que eu digo. Digo-vos somente a palavra do Apóstolo: “Nolite conformari huic saeculo”. (Rom. 12, 2). Não queirais seguir a moda escandalosa deste mundo.

 

3- Foi um anjo.

 

“Que fostes ver no deserto? Acaso um profeta? Sim, digo-vos, um profeta, e mais do que um profeta. Um anjo que anuncia o Senhor”.

 

Pode-se louvar mais um homem? Nunca ninguém foi assim exaltado pelos lábios de Cristo. No Evangelho, porém, (Jo. 10, 40) há uma referência a S. João talvez pouco meditada.

Passado o Jordão, Jesus chegou onde o Batista costumava batizar. Os caniços trêmulos na margem, o deserto que aparecia numa extensão amarelada e uniforme, a água pura do rio impetuoso evocaram ao Messias aquela pessoa tão cara a Ele, e que um rei adúltero trucidara.

 

Comovido, e como que para se repousar naquela melancólica lembrança, Jesus passou ali. Et mansit illic. Todos compreenderam que o Mestre pensava em João Batista, mas não compreendiam como Ele pudesse amar tanto um homem que não tinha feito sequer um milagre.

Antes, muitos ousaram dizer-lhe: “Aliás, João Batista não fez milagres. Joannes quidem nullum signum fecit”. (Jo. 41).

 

E Jesus não respondeu. Mas é tão fácil compreender a razão por que João não fez milagres! Foi para que pudéssemos imitá-lo na sua santidade. Por isto nestes domingos do Advento, a Igreja no-lo propõe como modelo.

Venham, pois, os avarentos mirar a sua cobiça num que recusou todos os bens terrenos. Venham os soberbos mirar a sua arrogância num que pregava: “È necessário que eu seja desprezado e que Ele, Cristo, seja honrado pelos homens”. Venham os desonestos mirar a sua alma enlameada num que viveu virgem a vida toda. Venham os gulosos mirar a sua voracidade num que não se alimentava senão de ervas e de mel silvestre.

E deste confronto deduzam um propósito de vida nova.

 

Conclusão.

 

Quando os Hebreus, arrancados da sua terra, foram confinados na Pérsia, alguns tementes a Deus tomaram o fogo sagrado do altar e esconderam-no num vale onde havia um poço fundo, sem água. E dentro dele depositaram-no em segurança, de tal forma que por todos foi ignorado aquele lugar.

Mas, quando, findos os anos de escravidão, eles voltaram a pátria, logo procuraram o fogo sacrifical. Foram ao vale, destamparam o poço fundo, mas ali o fogo se apagara, e eles não acharam mais do que água estagnada.

 

Então Neemias mandou que tirassem daquela água e pusessem-na sobre o altar, sobre a lenha, e se esperasse pelo nascer do sol. Apenas por trás das densas nuvens refulgiu o primeiro raio de sol, um grande fogo acendeu-se sobre o altar, e todos ficaram maravilhados. (II Mac. 1, 19-22).

 

Também nós hoje, confrontando a nossa alma com a de S. João Batista, achamos que no fundo do nosso coração não há mais o fogo do amor de Deus, porém a água estagnada da nossa tibieza, ou, pior, há a água lodosa dos pecados e das paixões.

Cristãos! Tomemos, chorando, este nosso coração cheio de misérias, e ponhamo-lo sobre o altar; apenas o Menino Jesus, sol das almas, no Natal que está próximo, raiar sobre o mundo, vê-lo-á, compadecer-se-á dele, e tornará a acender aquele fogo que, com os nossos pecados, nós extinguimos.

 

 

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2- FORTALEZA

 

No Evangelho, do 2º domingo do advento, Jesus tece os mais belos louvores à fortaleza de S. João Batista; “Que fostes ver no deserto? Que foi contemplares ao longo das margens do Jordão? Não era, não, um caniço agitado pelo vento! Não era um homem molemente vestido”.

Quando Jesus falava, devia ter na mente os espessos canaviais que se formam ao longo das águas e que, batidos pelo sopro dos ventos, vergam ora para um lado, ora para outro.

Hoje o Batista, que não se deixou dobrar nem pela prepotência de um tirano coroado, nem pelas sensualidades da carne, deve ensinar-nos a sermos fortes contra o respeito humano, fortes contra as paixões.

 

1- Fortes contra o respeito humano.

 

Frederico II, imperador da Prússia, costumava ter no seu palácio e à sua própria mesa muitos homens insignes pela ciência ou pelas artes. Singular e extravagante como era, quis ele, um dia de sexta-feira, convidar a jantar um príncipe romano, católico, para lhe tentar a fé e por à prova a sua coragem religiosa. O imperador não era católico.

 

Mas as iguarias eram feitas com carne, e o príncipe romano, tranqüilo e desembaraçado, deixava-as passar, contentando-se com enganar a fome apenas com alguns pedacinhos de pão.

O imperador observava sem falar; mas, depois, entre brincalhão e sério disse: “Por que não comeis? Acaso não vos agrada a cozinha da Alemanha?”

“Não, Majestade, a vossa cozinha é excelente para os outros dias da semana, mas hoje, para um católico, é má. A Igreja proíbe comer carne na sexta-feira”.

 

Ante essa nobre e franca resposta, Frederico replicou: “Admiro-vos: prestastes uma grande homenagem à vossa religião! Agora passai a sala vizinha, onde estão preparadas comidas de magro. Também eu irei fazer-vos a honra que mereceis”.

Aquele príncipe de Roma não era um caniço agitado pelo vento. Era um homem de caráter. E tanto mais quando se achava a mesa do Imperador, entre tantas personalidades ilustres que não pensavam como ele.

 

Assim deveriam ser todos os cristãos. Se estivermos convencionados de que a nossa religião é a única verdadeira, de que Deus existe, de que Jesus Cristo é a única salvação, e de que fora d’Ele e da sua Igreja não há senão ruína eterna. Devemos nos sentir capazes de manifestar estas idéias mesmo exteriormente. Mas infelizmente ainda há cristãos de meias medidas, os quais não querem renunciar à sua fé, mas, ao mesmo tempo, não tem a coragem das suas convicções. São escravos de um sentimento vil que os dobra como caniços sob o vento. Tal sentimento chama-se respeito humano: um belo nome, mas pessimamente aplicado. Primeiramente é preciso respeitar a Deus, primeiramente é preciso respeitar a própria fé, e depois tenha-se também consideração com nossos irmãos.

 

Tende isto em mente quando, entre pessoas que falam mal, que vestem mal, que ofendem abertamente as leis de Deus, sentirdes medo de agir diversamente delas.

Aliás, freqüentemente sucede o que ocorreu ao príncipe católico à mesa de Frederico II. Aqueles mesmos que gracejam ou fazem as admirações, são os primeiros a admirar e a estimar os bons que têm a coragem das suas idéias. Às vezes, uma fé sincera e franca vale a conquista de almas para as quais os fatos valem bastante mais do que as palavras.

Recordemos, além disto, aquilo que Jesus afirmava aos seus discípulos e a todos aqueles que o seguiam: “Diante do meu Pai que está nos céus, eu também me envergonharei de quem se houver envergonhado de mim diante dos homens”. (Mt. 10, 33)

 

2- Fortes contra as paixões.

 

Antes de começar a fundar as grandes obras de caridade, S. Vicente de Paulo era pároco de uma pequena aldeia na França. A fama de sua santidade difundira-se pelas terras vizinhas, e, para ouvir as suas prédicas, para confessar-se com ele, acorriam até mesmo alguns que havia tempo não estavam em ordem com o Senhor.

 

Havia um conde famoso pelos muitos duelos que havia sustentado. Todas as vezes que era ofendido, mesmo levemente, ele desafiava o seu adversário para combater com a espada, e era sempre tão afortunado, que já se não contavam as suas vítimas. Uma vez, porém, ouvindo uma prédica de S. Vicente, ele foi tocado pela graça de Deus e converteu-se. Vendeu as suas terras, e, com o preço obtido, fundou mosteiros e consolou os pobres. Era preciso que S. Vicente o moderasse, tanta era a generosidade com que ele se dera ao Senhor. Mas restava-lhe ainda a espada que tantas vezes lhe servira para ofender o senhor, e ele não sabia decidir-se a separar-se dela.

Aquela espada mantinha sempre aceso nele um pouco de afeto a sua vida passada; e, como aos primeiros fervores haviam sucedido momentos de frieza, se ele continuasse a conservar aquela arma talvez voltasse a vida de antes. Mas, um dia, possuído da vergonha de tal fraqueza, ele para o seu cavalo, desce, traz a espada e quebra-a em mil pedaços contra uma rocha, e, tornando a montar, exclama: “Agora, finalmente, sou livre”.

 

Comparáveis a espada daquele conde são as paixões que cada um de nós traz consigo desde o nascimento. Alguns são inclinados à soberba, à vanglória, à arrogância. Outros, por sua vez, amam as coisas terrenas, tem o coração por demais apegado ao dinheiro, aos negócios. Outros, ainda, sentem a ânsia de gozar, e quereriam sempre e só satisfazer os seus maus instintos.

 

Ter as paixões não é um mal: é apenas sinal de ser homem. Porém elas podem tornar-se espadas cortantes, instrumentos de pecado, quando não são sujeitadas à lei de Deus. Se, com a firmeza de uma vontade resoluta, não colhermos as rédeas aos nossos pensamentos, aos nossos instintos, às nossas inclinações, tornamo-nos caniços agitados pelo vento, e, após um período breve de fervor e de bondade, logo nos dobramos para uma vida desregrada.

 

Não são os frágeis caniços, e sim as árvores robustas, que sabem resistir ao sopro ruinoso do vento; os caniços findam na corrupção da lama.

Para evitar este péssimo fim, é preciso seriamente despedaçar aquelas espadas. Um golpe só não basta. A vitória sobre as nossas paixões não é tão fácil e tão pronta como pode ser o quebrar a espada do duelo. É preciso resistir sempre e todo dia, toda hora que passa devemos dar dois golpes decisivos, persuadidos de que só a morte as quebrará para sempre.

 

Porém, quanto mais avançamos nesta luta espiritual, tanto mais nos tornamos fortes, e a graça de Deus, que se une à nossa vontade, dá à alma cristã uma doce segurança de viver no amor do Senhor.

 

Conclusão.

 

“Feliz o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, e põe a sua complacência na lei do Senhor. Ele é como uma árvore que é plantada ao longo de correntes de águas, a qual dará fruto a seu tempo, e tudo que ela faz resulta bem”. (Salmo I).

 

Os maus, ao contrário, são como caniços que o vento, passando, abaixa; antes, são como uma nuvem de pó que o vento levanta e dispersa. Impii tanquam pulvis quem projicit ventus.

 

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